Cidades

Mulheres negras são a maioria das mães solteiras em Cuiabá

Com uma proporção de 66% da população de Cuiabá, a população negra ainda são grupos sociais em vulnerabilidade social e convivem com preconceitos racistas que podem mudar suas vidas.

A maioria das mulheres em Cuiabá ainda é parte de estigma social, que atinge as negras. Elas são jovens mães solteiras que foram abandonadas pelos companheiros – em alguns casos escolheram viver por conta própria – e enfrentam e dificuldades de sobrevivência. No programa habitacional ‘Minha Casa Minha Vida’, representam mais da metade das concorrentes.

Mariana da Costa,  empregada doméstica e moradora de bairro de periferia, vive uma situação semelhante. Aos 26 anos ela é mãe de duas crianças, com 6 e 5 anos, e saiu recentemente de um relacionamento iniciado na adolescência. 

“Eu tenho que ir para o trabalho todos os dias para conseguir o mínimo  necessário para sobreviver, enquanto meus filhos ficam na creche. O meu ex-marido saiu de casa porque estava achando muito difícil. Ele pensa que as coisas são fáceis pra mim.”

O relacionamento que durou pouco mais de seis anos teve episódios de agressões físicas, bate-boca e o conflito do que é ofertado hoje aos jovens em uma sociedade de tecnologia e alto consumo.

O caso de Mariana Costa, no entanto, não tem um traço característico da história do Brasil que ainda hoje aparece. O ex-companheiro dela também é negro e faz parte da mesma classe socioeconômica.

O conselheiro de Promoção da Igualdade Racial de Cuiabá, Evander Pinto França, afirma que os traços de racismo que aparecem dentre essas mulheres estão relacionados a aspectos sociais e as consequências que advêm deles.

“Ainda hoje se tem a ideia de que as mulheres negras de canela fina são boas de camas. Algo que funciona como atração para homens, geralmente de cor branca, que procuram elas só para o ato sexual e que não querem assumir a responsabilidade de um relacionamento”, conta.

A faixa-etária dessas mulheres mães, negras e solteiras é ampla. Abarca adolescentes desde 16 anos e mulheres de 27 a trinca anos. Evander França, que foi lotado na Secretaria de Habitação de Cuiabá, afirma que no cadastro do Minha Casa Minha outra característica em comum no perfil desse grupo são o desemprego e baixa escolaridade. 

“É um público muito grande de mulheres são. Vai de moças com 16 anos a mulheres com 27 até trinta anos. É um grupo que merece a criação de cota, de 20%, por exemplo, para sorteio exclusivo dentre essas mulheres”.

As questões sociais e de raça 

O conselheiro Evander Pinto França afirma que 66% da população de Cuiabá é hoje formada por negros, incluindo tanto pessoas que autodeclaram negros e as que se enxergam como pardas (afrodescendentes).

O problema do reconhecimento racial, segundo ele, é fator que pesa na formação de políticas públicas. No Minha Casa Minha Vida, a maioria das mulheres são autodeclaram serem negras, mas solicitação participação em programas voltados para o público. É o caso da criação de cotas para jovens mães solteiras.

“Defendemos que haja uma cota para essas mulheres [no Minha Casa Minha Vida]. Mesmo que elas entrem no cadastro geral dos concorrentes, mas que tenham uma parte para ser distribuídas entre elas”.

Segundo França, a criação da cota seria um caminho para promover a igualdade racial das mulheres jovens, negras e mães com outros perfis sociais e de raça. 

“Precisamos de políticas que sejam pontuais, como a Semana da Consciência Negra. Não que as pontuais não sejam importantes. Mas precisamos de continuidade para atender esse público”.

Outro aspecto social apontado pelo conselheiro é condição de moradia da população negra em Cuiabá.  Ribeirinhos em situação de risco, moradores de periferias, com carência de rede de saneamento básico são maioria da população cuiabana.

“Apesar de eles não se reconhecerem como negros, estão morando em áreas com risco de alagamento em tempo de chuva, em bairros sem asfalto, sem rede de esgoto ou então sem moradia. É a população negra que precisa de atendimento específico na saúde, por exemplo, contra a anemia falciforme”.  

O Conselho Municipal de Promoção da Igualdade Racial foi reativado somente em 2016, e as políticas públicas voltadas para a população negra estavam engavetadas. Hoje, segundo Evande Pinto França, projetos sobre habitação, saúde e meio ambiente, estão ainda em análise da Procuradoria Geral do Município sem data para a implantação.
 

Redação

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Reportagens realizada pelos colaboradores, em conjunto, ou com assessorias de imprensa.

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