Valdivino Almeida Fidelis, de 46 anos, conhecido como “Paizão” e monitor da Escola Estadual Liceu Cuiabano, morreu após um confronto com a Polícia Militar na noite desta segunda-feira (11.05.2026), no bairro Lixeira, em Cuiabá. A ocorrência, que envolveu uma suposta situação de cárcere privado e ameaça, apresenta versões conflitantes entre a corporação e os familiares da vítima.
A Versão da Polícia Militar
De acordo com o boletim de ocorrência, os militares foram acionados via Ciosp com informações de que uma mulher estaria sendo mantida sob ameaça dentro de uma residência. Ao chegarem ao local, os policiais relataram ter ouvido pedidos de socorro vindos do interior do imóvel.
Ao entrarem no quintal, os agentes afirmaram ter visualizado Valdivino apontando uma arma de fogo contra a cabeça da própria enteada. Segundo a PM:
- O suspeito estaria fazendo ameaças de morte e condicionava a libertação da vítima à retomada de um relacionamento amoroso com uma terceira pessoa, com quem conversava por telefone;
- Houve uma tentativa de negociação, mas Valdivino teria resistido à abordagem;
- Ao tentar fechar a porta da casa, ele teria apontado a arma em direção aos policiais, momento em que a equipe efetuou os disparos.
O óbito foi confirmado no local por uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).
Contestação e Relato da Família
Familiares de Valdivino contestam a narrativa de que ele representava um risco à vida da enteada ou dos policiais. Segundo os parentes, o monitor estava armado, mas o ato seria um reflexo de um quadro severo de depressão motivado pelo fim de um relacionamento recente.
- Vídeo da Vítima: A própria enteada gravou um vídeo momentos antes do desfecho. Nas imagens, Valdivino aparece andando pela casa com a arma, mas conversando por videochamada com uma mulher. No registro, ele desabafa dizendo que não queria mais viver e que “aquilo precisava ter um fim”, indicando uma possível intenção de autotransgressão.
- Argumento Familiar: Os parentes sustentam que ele não teria coragem de ferir a enteada e que a ação policial foi desproporcional diante de uma crise de saúde mental.
Investigação
Valdivino era uma figura conhecida e querida na comunidade escolar do Liceu Cuiabano, onde atuava como monitor de pátio. A Polícia Civil e a Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) estiveram no local para coletar provas e depoimentos.
O caso agora segue sob investigação da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) e da Corregedoria da Polícia Militar, que deverão apurar se houve excesso na conduta dos agentes ou se a intervenção foi necessária para preservar a vida da refém.


