Cidades

Mesmo com aparência de abandono, Zoo não traz risco a animais

Fotos: Andréa Lobo / Arquivo CMT

A equipe da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema) realizou uma fiscalização no Zoológico da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), na última quinta-feira (16). Apesar das inúmeras denúncias e aparência de total abandono do local, os técnicos apontaram que os abrigos estão em boas condições de uso e os animais não apresentam nenhum sinal de maus-tratos. Também foram vistoriados o setor administrativo, ambulatório, cozinha e almoxarifado.

O Zoo já foi tema de reportagem especial do Circuito Mato Grosso em abril deste ano. Na época, nossa equipe constatou indícios que o manejo dos animais é feito da maneira inadequada, levantando dúvidas sobre sua saúde e condições de sobrevivência.

Todo mês o Zoológico da UFMT recebe 6 mil visitantes, mas lá as pessoas encontram poucos bancos, banheiros e contatam a inexistência de comércio dentro de suas dependências, prejudicando o conforto das pessoas. O acúmulo de água no fosso que separa algumas espécies das ruas de visitação e a aparente insuficiência de espaço físico para alguns animais – como o porco-do-mato por exemplo – podem levar a acreditar que os bichos não se encontram nas melhores condições.  

Segundo a assessoria da Sema, a gerente do zoológico, Sandra Helena Ramiro, acompanhou a vistoria e apresentou aos fiscais uma planilha com informações referentes à alimentação dos bichos. De acordo com a planilha, eles se alimentam duas vezes ao dia e há alguns que comem apenas uma vez.

Conforme o relatório de inspeção, na cozinha, onde é preparado o alimento dos animais, existem duas câmaras frias, local em que foi verificado que os alimentos estão devidamente acondicionados. Os alimentos que são servidos no dia ficam armazenados em baldes de plástico com tampa. E os secos, como ração, ficam em um depósito ao lado da cozinha.

Os técnicos da Sema também garantiram que os recintos dos animais estão em boas condições de uso, com a disponibilidade de água e higienização. Porém, uma situação que chamou a atenção dos fiscais foi que a área de quarentena, onde seria para acomodar animais em tratamento, está ocupada por animais em bom estado de saúde. Ainda assim, eles possuem uma ficha de Prescrição Médica que serve como acompanhamento clínico.

De acordo com Sandra, os bichos que estão ali são aqueles que não se adequaram ao bando. Como um macaco aranha, que não tem medo de água e nada para outro local com intuito de fugir dos colegas do recinto. “Esses animais foram designados para a área de quarentena, onde eles estão sendo preparados para iniciar a vida com os outros animais da mesma espécie.”

Os únicos animais que apresentaram problemas de saúde foram um jacaré, que, de acordo com a gerente, sofreu lesões ao brigar com outro da mesma espécie. E também um veado que se feriu durante uma briga com outro colega de recinto. Os dois estão em tratamento. “Desta forma, não foi identificada nenhuma irregularidade relacionada aos animais que se encontram no zoológico”, descreve a equipe no relatório de inspeção.

Situação do zoológico

O único zoológico de Mato Grosso, espaço que oferece oportunidade singular para desenvolvimento de atividades educacionais, pesquisa e lazer no Estado, não possui verbas próprias do Ministério da Educação – uma vez que é ele quem mantém as estruturas de ensino superior público federal, por meio da União –, e acaba dependendo de recursos que são diluídos para a UFMT.

A informação é da chefe de Serviço do Zoológico, a médica veterinária Sandra Helena Ramiro Corrêa. Ela destaca que o zoo existe no campus desde 1977 e foi crescendo com o passar dos anos, principalmente em virtude da parceria com o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), que realizava apreensões de animais e os acondicionava na UFMT.

A realidade, porém, mudou. O zoológico vem buscando desde 2009 sua licença ambiental, já que viu crescer a população de animais silvestres ao longo dos anos sem o acompanhamento da modernização e expansão de sua estrutura física. Paradoxalmente, o Ibama proibiu a entrada e saída de novos animais – uma consequência que o próprio órgão criou, na opinião da especialista.

A Sema informou que o processo de licenciamento e autorização de uso e manejo do zoológico está em análise pela equipe técnica da Coordenadoria de Fauna, que assumiu responsabilidades do Ibama desde a regulamentação da Lei Complementar nº 140/2011, no ano passado. E que nesse período de um ano, a Secretaria está reorganizando sua estrutura para atender essas novas demandas.

Zoologico da UFMT vive fase melancólica

 

Redação

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Reportagens realizada pelos colaboradores, em conjunto, ou com assessorias de imprensa.

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