Mato Grosso registrou 17.741 casos de hepatites virais entre 2000 e 2024, segundo dados do Ministério da Saúde. No mesmo período, 939 pessoas morreram em decorrência da doença no Estado. A hepatite B lidera as notificações, reforçando a necessidade de ampliar o diagnóstico precoce e as medidas de prevenção.
Para aumentar a identificação dos casos, o Ministério da Saúde intensificou a distribuição de testes rápidos. Até maio de 2026, Mato Grosso recebeu 209.650 testes para hepatite C, disponíveis gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A estratégia busca detectar a infecção antes que ela provoque danos graves ao fígado, já que a doença pode permanecer por anos sem apresentar sintomas.
Em todo o Brasil, foram confirmados mais de 826 mil casos de hepatites virais entre 2000 e 2024. A hepatite C concentra 342.328 notificações (41,5%), seguida pela hepatite B, com 302.351 casos (36,6%), e pela hepatite A, com 174.977 registros (21,2%). As hepatites D e E representam menos de 1% das ocorrências.
Segundo a infectologista e consultora da Organização Nacional de Acreditação (ONA), Cláudia Vidal, as hepatites B e C exigem maior atenção por apresentarem alto potencial de evolução silenciosa. Ela explica que, sem diagnóstico e tratamento, a infecção pode causar cirrose, câncer de fígado e até levar à necessidade de transplante. A especialista orienta que pessoas com sintomas como fadiga, febre, náuseas, dor abdominal, pele e olhos amarelados, urina escura e fezes claras procurem atendimento médico.
As formas de transmissão variam conforme o tipo do vírus. A hepatite A está associada principalmente ao consumo de água ou alimentos contaminados. Já as hepatites B e D podem ser transmitidas por contato com sangue contaminado, relações sexuais desprotegidas e da mãe para o bebê durante a gestação ou o parto. A hepatite C é transmitida, sobretudo, pelo contato com sangue infectado, incluindo o compartilhamento de seringas, agulhas, lâminas de barbear, alicates de unha e materiais não esterilizados utilizados em tatuagens e piercings.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 1,3 milhão de pessoas morreram em 2024 em decorrência das hepatites B e C, responsáveis por mais de 95% dos óbitos relacionados às hepatites virais no mundo. A entidade alerta que, apesar dos avanços no diagnóstico e no tratamento, o ritmo atual ainda é insuficiente para eliminar essas doenças como problema de saúde pública até 2030.



