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Mato Grosso é o estado mais rápido do Brasil para identificar drogas

Um estado extenso com mais de 750 km de fronteira seca e sendo vizinho dos maiores produtores de drogas do mundo, Mato Grosso vive uma constante guerra contra o tráfico. Aliado a isso, tem o uso desenfreado de entorpecentes dos mais variados tipos. É aí que entra o laboratório forense da Perícia Oficial de Identificação Técnica (Politec), que hoje é responsável pela identificação destes entorpecentes. Mato Grosso, de acordo com o diretor metropolitano de laboratório forense da Politec, Paulo Sérgio Vasconcelos, é o mais rápido do país na identificação e emissão de laudo oficial das drogas mais comuns (cocaína e maconha).

Segundo Paulo Sérgio em entrevista ao Circuito Mato Grosso, dependendo da quantidade de droga apreendida, o laudo oficial sai no mesmo dia. Os peritos lotados no laboratório forense são de extrema qualificação, experiência e conhecimento, garantindo os resultados necessários.

“Os peritos lotados no laboratório, são extremamente especializados, são profissionais de nível de professores de faculdade, e bem especializados para ter além de conhecimento, um trato fino com os equipamentos que são todos importados”, revelou.

Paulo Sérgio Vasconcelos – Foto: Alan Cosme/Hipernotícias

O diretor revelou que além do estado estar na fronteira, o que levou a essa rapidez na identificação de entorpecentes, foi a necessidade de acelerar o processo investigativo e também diminuir a demanda no laboratório.

“Além dos fatores  citados, não queríamos que se criasse um passivo, pois chega droga todos os dias no laboratório, seja da região metropolitana, ou do interior do estado e nesse aspecto, se não fizéssemos algo deste tipo, o nosso passivo aumentaria e alguns exames iam acabar ficando para trás, e hoje em dia quando o material vem do interior, em um ritual comum demora-se de 30 a 90 dias para ser analisado, já na região metropolitana não, chegou é analisado preliminarmente e definitivamente no mesmo dia”, explicou Paulo Sérgio.

Nas grandes quantidades de entorpecentes apreendidas, Paulo explicou que para realizar a análise é feito um estudo amostral, seguindo as normas internacionais e as brasileiras de amostragens da NBR.

“Utilizamos uma forma tabular de amostragem por determinação da Senasp, porém hoje em dia estamos em via de publicar, uma nova forma de amostragem muito mais moderna e muito mais eficiente, principalmente para grandes apreensões. O estudo foi baseado justamente pensando nisso, principalmente por nossa região ser muito comum o aporte de grandes apreensões” contou Paulo.

Drogas e suas derivações

O setor responsável pela identificação dos entorpecentes que chegam ao laboratório, é o de química forense, que identifica, maconha, cocaína e seus derivados e também as chamadas Designer drugs, que são as manipuladas em laboratórios para não serem identificadas.

“Quando uma pessoa é detida com essas drogas, ela pode ficar presa ou não, pois o material passa por um processo de identificação ou não, porque esse material precisa ser conhecido, ou cadastrado e se é uma substância nova e não existe na biblioteca da Anvisa,  essa pessoa acaba sendo solta. O material pode ficar apreendido, mas a pessoa é liberada”

Em Mato Grosso, as drogas mais apreendidas são a maconha em seus derivados como haxixe e Skank, além da cocaína e sua diversidade, de pasta base, cloridato, crack entre outros, além do ecstasy.

Paulo Sérgio também revelou que nunca foi apreendido LSD no estado, e é uma mística sobre a droga em Mato Grosso.

“Aqui nunca pegamos o LSD, o que é apreendido, é o plotter de celulose que é encontrado em sites de papelaria e qualquer pessoa pode comprar sem nada, e aí o traficante que borrifa alguma droga no papel, porque o LSD em si é caro, e tem efeitos colaterais que as pessoas não querem ter. Aqui eles burrifam com outros materiais hoje em dia, com afetaminícos, diazepínicos, analgésicos hospitalares e o LSD mesmo, ficou só no folclore, pois ele original é muito concentrado e tem que ser muito diluído o microponto para o “cliente” não morrer”, explicou.

Outra droga muito comum em ser “batizada” em Mato Grosso, é a cocaína que possui seus derivados  por ser muito forte pura, e é misturada geralmente com pó de vidro, cal, pó de mármore, ácido bórico, gesso em pó.

“O mais comum que encontramos nas análises, é o ácido bórico que se assemelha ao cloridato de cocaína, que é encontrado em farmácia ou lojas de materiais agropecuários, e pode ser utilizado para combate ao nematoide do solo, corrigir o Ph do solo e tem alguns outros efeitos, e por conta desse controle que existe na sua efetividade, ele também é controlado pela Polícia Federal e nenhuma pessoa comum pode ter mais de cinco quilos de ácido bórico”, contou o diretor.

Em sua maioria os traficantes adquirem o material (ácido bórico) por meio do mercado negro ou sites pela internet, porém, quem for detido pelo crime de tráfico de drogas, pode pegar de três a quinze anos de reclusão em regime fechado.

A procura por drogas sintéticas tem aumentado no estado, principalmente em festas raves, e visando esse mercado, traficantes tem vendido mais esse tipo de entorpecente, e geralmente também batizam o ecstasy e acabam vendendo para o usuário café concentrado como ecstasy.

“Enquanto um traficante para conseguir mil reais com maconha ou cocaína tem que vender uma grande quantidade, com ecstasy em uma festa rave 20 comprimidos ele consegue o mesmo valor, e em uma festa de alto padrão, 10 comprimidos já obtêm esse valor. É um negócio sujo o tráfico, e muitas vezes o ecstasy é falsificado, por exemplo, a pessoa compra um comprimido, mas na verdade é cafeína em alta concentração. A cafeína em alta concentração misturada a droga, da a sensação de ficar “ligado” e a pessoa usa achando que é uma coisa, mas é outra”, detalhou Paulo Sérgio.

Ainda o diretor contou que existe hoje na Avisa centenas de drogas catalogadas e muitas ainda sendo estudadas, outras que estão sendo utilizadas fora do País, se chegar ao Brasil ainda não será caracterizado como entorpecente por não estar na lista de produtos proibidos pela Anvisa.

Equipamentos

Apesar de o estado não ter investimento na área na última década, o laboratório forense disponibiliza de bons equipamentos aliados a uma equipe qualificada com profissionais gabaritados como citado no início da matéria.

“O problema do investimento, é que os equipamentos são muito caros, e todos eles são importados,  e infelizmente não temos no Brasil material forense para análise de entorpecente equipamentos nacionais, até os consumíveis são importados, temos reagentes de 25 gramas que custa R$ 5 mil”.

“A biologia usa na análise de urina para saber se tem droga, o material vem da Irlanda, mesma coisa o High performance new cryptography (HPNC), um de boa qualidade custa mais de R$ 1 milhão, mas esse tipo de aporte demora acontecer e não é uma questão isolada Mato Grosso, é nacional, e o material que temos aqui, foram doados pela Secretaria Nacional de Segurança Publica, e quando houver outra (doação) vamos solicitar e quem sabe a gente consiga”, finalizou.

 

 

 

 

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Reportagens realizada pelos colaboradores, em conjunto, ou com assessorias de imprensa.

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