As pesquisas de intenção de votos para as eleições de outubro já começam a sinalizar uma tendência recorrente. Os dados sugerem um confronto entre Lula e Flávio em um provável segundo turno. (Triste sina).
Mas, como ainda faltam cinco meses para o pleito, algumas pessoas esperam que apareça um herói com discurso arrebatador que leve o povo a acreditar em um pote de ouro no fim do arco-íris, que, desenterrado, pague suas contas e ainda sobra grana para comprar um celular novo e uma caneta de monjaro.
O país e o povo estão endividados. Seguindo o conselho recorrente do presidente Lula, as pessoas acreditaram que não é preciso economizar, pois sempre haverá um milagre para socorrer os pobres que são oprimidos pelas “zelites”.
Ele agiu como falou. No comando da Nação, não demonstra nenhuma preocupação com o endividamento e muito menos em estancar a sangria. Antes, para garantir o quarto mandato, distribuiu o dinheiro que não tem, sacando a descoberto no “cheque especial e no rotativo do cartão”, pagando juros de 15% ao ano.
Ainda põe a culpa no Banco Central pelo valor da Selic, para dizer ao povo que o erro não é dele, sabendo, claro, que a Selic alta é consequência de uma má gestão da economia, não causa dela. Mas é mais fácil acusar o Galípolo do que assumir a culpa.
O petista confia que os benefícios concedidos aos eleitores trarão parte dos votos necessários para continuar em Brasília. E é possível conseguir mesmo. O vale gás, a energia solidária, a diminuição do IR têm grande potencial de conquistar adeptos. Dane-se o equilíbrio financeiro da nação, o que importa é o desfrute, com a companheira Janja, do luxo do Planalto com um uísque 21 anos no final da tarde.
Entretanto, a irresponsabilidade presidencial não para aí. Sabendo que faltam poucos milhares de votos para ganhar a eleição no primeiro turno, se lança na busca deles a qualquer custo. Onde achá-los? Fácil, encapando o projeto de lei do fim da escala 6×1.
Mas, feitas as contas, ainda faltam votos para liquidar a fatura. Então, por que não prometer ônibus gratuito para todos?
Claro que proteger os mais carentes é um ato louvável. Só que, para tanto, é preciso ter dinheiro. Sem ele, a ajuda é ilusória e perniciosa, porque leva toda a nação para o buraco. A diminuição da jornada diária, por exemplo, depende da produtividade para ter sucesso. Trabalhar menos antes de aumentar a produtividade é como entrar no “rotativo do cartão”: nunca mais sai.
E assim, iludidos por um experiente verborrágico, vamos descartando candidatos que poderiam dar algum rumo ao país. Quatro competentes governadores — Caiado, Zema, Ratinho e Eduardo Leite — foram ignorados pelos eleitores. Dois já desistiram e os que sobraram têm 3%, cada um, das intenções de voto. Até o novato Renan dos Santos (a mais nova cria da internet) com 5%, supera os experimentados governadores.
Um dia, o Pelé, que só dizia platitudes, falou que “o brasileiro não sabe votar”. Foi massacrado por isso. Será que ele tinha razão?
Renato de Paiva Pereira.


