A Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) concluiu na sexta-feira (20) o laudo que analisou a água do bebedouro do restaurante universitário (RU) da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) que foi contaminada e alunos passaram mal ao ingerir o líquido no dia 13 de junho. Foi detectada a presença do composto orgânico tolueno.
O resultado pericial foi encaminhado à 2ª Delegacia de Polícia Civil. O delegado Richard Damasceno, titular da 2ª DP, solicitou ao perito informações complementares para dar seguimento às investigações.
A Politec foi acionada para analisar o caso após um estudante sentir fortes dores no estômago ao ingerir a água do bebedouro. Na ocasião, peritos do plantão de Criminalística e do Laboratório Forense estiveram no local para coletar as amostras e analisar os vestígios presentes na cena no crime.
A substância foi identificada através da comparação do espectro de uma amostra da água do bebedouro com outra amostra da substância suspeita.
Os exames foram realizados no equipamento CG-FID (Cromatógrafo Gasoso com detecção de Íons de Chama), do Laboratório Forense da Politec, além de outros equipamentos cedidos pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT).
O tolueno é um hidrocarboneto aromático, inflamável, incolor, volátil, de odor característico e altamente danoso à saúde se ingerido ou inalado. Ele é comumente utilizado como solvente em colas e tintas, mas seu uso não se restringe apenas a esse fim.
A maior parte do tolueno lançada no meio ambiente é oriunda do uso da gasolina e do refinamento de petróleo. Ele também participa da composição de produtos químicos orgânicos, como o uretano, poliuretano, benzeno, e na fabricação de polímeros e borracha.
O tolueno também está presente em colas, gasolina, tintas, removedores, agentes de limpeza, fumaça do cigarro e cosméticos.
A substância pode afetar o sistema nervoso. É facilmente absorvido pelos pulmões (40 a 60% do inalado). Níveis baixos ou moderados podem produzir cansaço, confusão mental, debilidade, perda da memória, náusea, perda do apetite e perda da visão e audição. Estes sintomas geralmente desaparecem quando a exposição termina.
Inalar níveis altos de tolueno por um período pode produzir sonolência e até mesmo a inconsciência. Um estudo americano realizado pelo Brookhaven National Laboratory comprovou que o tolueno, quando inalado, faz o mesmo caminho da cocaína no cérebro. No Brasil já há no mercado cola de sapateiro sem toluol.
O estudante começou a sentir fortes dores no estômago minutos depois de beber a água no RU. Uma viatura do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi ao local e encaminhou o jovem a uma unidade de saúde da capital.
Vídeos começaram a circular nas redes sociais mostrando alunos e funcionários do restaurante contestando a qualidade da água. Segundo eles, o líquido pode ter sido contaminado propositalmente por uma terceira pessoa. Em um dos vídeos, um funcionário, coloca a água em um copo descartável e, logo em seguida, o copo começa a derreter, dando a entender que no líquido estaria alguma substância corrosiva.
Em outro vídeo, uma pessoa não identificada relata: “alguém tem que ligar lá (empresa responsável pelo restaurante) e falar isso… Alguém colocou alguma coisa nessa água porque não estava assim… Tem um cheiro forte de amoníaco”, continua os relatos no vídeo.
O restaurante é administrado atualmente pela empresa Novo Sabor Refeições Coletivas LTDA, que venceu uma licitação em setembro de 2017 e assumiu as atividades no local em maio deste ano.
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