O senador Jayme Campos (União) atacou duramente o ex-governador Mauro Mendes (União) durante discurso no Senado, dias após a deflagração da Operação Heritage, da Polícia Federal. Ao citar o possível desvio de R$ 308 milhões investigado na operação, Jayme afirmou ser “muito triste” ver o estado estampado nas páginas policiais do país e pediu desculpas aos mato-grossenses por ter apresentado Mauro, em 2018, como candidato ao governo de Mato Grosso.
Jayme disse que acreditava que Mauro seria um governador de “bom caráter” e que atenderia às expectativas da população. O senador lembrou que o ex-governador havia perdido disputas para a Prefeitura de Cuiabá e para o Governo do Estado antes de vencer a eleição de 2018. “Acreditava que era um homem de bom caráter e que atenderia à expectativa do povo mato-grossense. (…) Pedimos desculpas”, declarou.
O rompimento entre os dois políticos ocorreu em meio à disputa interna pelo comando da chapa majoritária do União Brasil para as eleições deste ano. Na convenção estadual da sigla, Mauro Mendes articulou para impedir a candidatura de Jayme ao Governo de Mato Grosso e conduziu o partido para uma aliança com o governador e candidato à reeleição Otaviano Pivetta (Republicanos). A decisão deixou Jayme fora da disputa pelo Palácio Paiaguás e aprofundou a ruptura entre os dois antigos aliados.
No discurso, Jayme também criticou a possibilidade de prejuízo aos cofres públicos e defendeu uma investigação rigorosa sobre o caso. “Esse valor seria suficiente para implantar 4 mil UTIs, construir milhares de casas populares e escolas. Uma coisa precisa ficar clara, a lei deve valer para todos”, afirmou. Segundo ele, quem eventualmente tiver cometido irregularidades deve responder pelos atos, independentemente de posição política.
A Operação Heritage foi deflagrada pela Polícia Federal para investigar suspeitas de peculato, lavagem de dinheiro, organização criminosa, crimes contra o Sistema Financeiro Nacional e uso indevido de informação privilegiada. Autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), a operação cumpriu 25 mandados de busca e apreensão em quatro estados e determinou bloqueios de bens de até R$ 316 milhões, além de outras medidas cautelares. A investigação apura um acordo entre o Governo de Mato Grosso e uma empresa de telefonia, no qual a PF suspeita que mais de R$ 308 milhões tenham sido desviados por meio de fundos de investimento e empresas intermediárias.
Ao final, Jayme associou o episódio à sua trajetória política e reafirmou que pretende manter sua atuação no Senado até o fim do mandato. O senador afirmou que sua lealdade é, acima de tudo, aos eleitores e disse ter sofrido uma “puxada de tapete” dentro do partido que ajudou a fundar. “Nunca precisei mudar de lado de acordo com a conveniência do momento. Sempre mantive minha palavra e minhas convicções”, declarou.


