Mato Grosso encerrou o mês de agosto de 2026 com um respiro no orçamento das famílias. Um levantamento do SPC Brasil, apurado para a Câmara de Dirigentes Lojistas de Cuiabá (CDL Cuiabá), apontou uma queda de 2,23% no número de consumidores inadimplentes em comparação a julho.
O recuo é o primeiro registrado no ano e traz um alívio para um contingente de quase 1,5 milhão de mato-grossenses adultos que estão com restrição de crédito. O mesmo reflexo positivo apareceu na quantidade de dívidas em atraso, que caiu 2,38% no mês — embora o acumulado dos últimos 12 meses ainda apresente alta de 8,90%.
O Perfil da Dívida em Mato Grosso
O levantamento detalhou o comportamento do consumidor inadimplente no estado. O perfil é majoritariamente masculino (53,42% contra 46,56% de mulheres), com a faixa etária concentrada entre 30 e 49 anos.
- Valor e Tempo: A dívida média somada por consumidor no estado é de R$ 6.119,63. O tempo médio de atraso é longo: 29,5 meses. Cerca de 75% dos débitos estão abertos há mais de um ano.
- Maiores Credores: Os bancos e instituições financeiras lideram com folga, concentrando 54,81% das dívidas. Na sequência aparecem o comércio (21,94%), outros segmentos (10,91%), contas de água e luz (8,17%) e comunicação (4,17%).
O Cenário na Capital
Em Cuiabá, o movimento de queda foi um pouco mais acentuado do que a média estadual. A capital registrou redução de 2,52% no total de negativados e de 2,95% no volume de dívidas em atraso. Atualmente, a cidade soma aproximadamente 258 mil consumidores com o “nome sujo”.
Apesar da queda, o cuiabano deve mais. O valor médio das dívidas na capital é de R$ 6.631,99, com um tempo médio de atraso de 30,2 meses. O perfil do devedor cuiabano acompanha o do estado (maioria masculina, entre 30 e 49 anos), mas com uma idade média levemente superior: 45,4 anos.
Na capital, o peso dos bancos no endividamento é ainda mais esmagador, respondendo por 61,09% das restrições. O comércio aparece em segundo, com 14,85%.
Reorganização e Diálogo
Para o presidente da CDL Cuiabá, Júnior Macagnam, a retração dos índices é um sinal positivo que exige proatividade do setor varejista.
“Os números mostram que a inadimplência ainda é uma realidade que pesa no bolso do consumidor cuiabano e mato-grossense, mas o recuo mensal é um indício importante de que as famílias estão conseguindo se reorganizar. Do lado do comércio, isso significa reforçar o diálogo com o cliente, oferecer condições de negociação viáveis e ajudar quem quer voltar a comprar e a pagar em dia”, avaliou o presidente da entidade, que representa cerca de 10 mil empresas no estado.


