Plantão Policial

Há 22 anos sem resposta, mãe busca pelos filhos sequestrados e até hoje não encontrados

O dia era 1º de maio. O ano era 1996. Foi quando a vida de Odilza Síria Sampaio, hoje com 65, mudou e nunca mais foi a mesma. Esta data está marca um fato que ficou conhecido em Mato Grosso, no Brasil e fora do País, como o “Caso Tijucal”, onde seu filho Marcos Henrique Sampaio, então com 19 anos, foi sequestrado junto com outros dois adolescentes, no local conhecido como Praça do Popeye no bairro Tijucal em Cuiabá-MT. Um ano após, seu outro filho Wellington Sampaio, 15, também foi sequestrado e até os dias de hoje nenhum deles foi localizado..

Ao Circuito Mato Grosso, Odilza relembrou o que aconteceu naquele dia, e também, a sua luta solitária de mais de duas décadas para descobrir o que aconteceu com seus filhos, e o porquê do sequestro dos garotos que, segundo ela, eram trabalhadores e não possuíam nenhum tipo de envolvimento com o crime e nem eram usuários de entorpecentes.

“Meus filhos não tinham nenhum tipo de envolvimento com nada ilícito, pois, como costumo dizer, uma mãe quando perde o filho enlouquece e quando meus filhos foram sequestrados, eu fui em todas as “bocas de fumo” (ponto de venda de entorpecentes) eu ia falar com traficantes, encarava eles (traficantes), perguntei em todos os locais, e todos me diziam, que não conheciam ou sabiam de nada, e eles não possuíam nenhuma passagem criminal, então foi um crime que não vai ficar sem resposta, eu vou descobrir o que aconteceu naquela noite”, contou Odilza.

O ex-policial civil João da Silva Mendes, conhecido como "Mestre Caravelas", acusado de ser um dos sequestradores e condenado há 14 anos de prisão, segundo Odilza, confessou o crime de sequestro, porém nunca relatou a motivação e nem o que foi feito com o corpo dos garotos sequestrados.

“O Caravelas não fala, com medo de morrer, e tem gente muito grande por trás disso tudo, eu tenho certeza, só que ele não enriqueceu, foi exonerado da polícia, e tudo que ele aprecia de valor eu denunciava e ele perdia”.

Recorte de jornal que Odilza ainda guarda com a foto dos filhos.

Durante todo esse tempo, Odilza confessa que não desistiu de desvendar o caso e que também chegou a ter uma pistola apontada para a sua cabeça, foi ameaçada de ser presa entre outros fatos.

“Uma mulher conhecida pelo apelido de loira, que foi uma das mandantes da morte de Charles, Araújo Martins, 19, (uma das testemunhas oculares e chaves do sequestro) me colocou uma pistola na testa dizendo que iria me matar, pois alegou que eu havia dito que ela era a loira do caso tijucal”.

“Eu disse a ela, pode me matar, atira, só que eu tenho um anjo da guarda muito forte, que no momento eu reagi, bati na pistola e a arma caiu da mão dela, em seguida quando ela foi atrás da pistola para me matar, nesse intervalo eu corri e fugi, e isso foi no dia 30 de outubro de 1996, e lembro bem da data, pois é o dia do aniversário da minha mãe, e eu estava no Setor III, do Tijucal”, completou.

Odilza conta, que passado esse tempo, na virada do dia 31 para 1º de novembro, a “loira” levou uma rajada de tiros, que acertou a clavícula e a sua mão. Então a mandante da morte de Charles foi na delegacia denunciar Odilza como mandante da tentativa de homicídio.

Crença no desvendar do caso

Odilza acredita que vai conseguir desvendar o caso, tendo dinheiro, pois ela conta que ainda tem uma peça chave nessa história e que ela vai achar essa pessoa e ela vai contar toda a verdade do dia 1º de maio de 1996.

“Eu vou atrás dessa peça chave, pois isso começou por ele, e por essa pessoa eu vou desvendar esse caso. Muitas testemunhas se negaram a falar com medo de morrer, e ainda hoje existem testemunhas que sabem o que aconteceu, presenciaram o fato, mas ainda têm medo de relatar o que de fato hoje, acredito que uma boa recompensa a pessoa conta, por isso eu digo, tendo dinheiro, eu vou conseguir desvendar esse mistério que dura há anos”.

A mãe das vítimas desaparecidas, relatou que por conta do desaparecimento cursou até o terceiro ano de direito para aprender a montar processos, e também até hoje não entende o porquê do caso não ter sido desvendado.

“Eu tive que fazer até o terceiro ano da faculdade de direito para montar um processo, para mandar para a corte interamericana, lá o processo foi julgado rapidinho, pelo o que eu fiz, marcaram uma audiência, mas de repente veio uma resposta que tinham mudado data e não foi pra frente. A Macond na Itália, também pediu uma solução no caso Tijucal, eles pedem que faça valer a justiça e o caso seja desvendado”.

Macond da Itália cobrando justiça no caso Tijucal

Emocionada, Odilza relembra que enquanto atuava como conselheira tutelar na capital, foi esfaqueada e suplicou a Deus para mantê-la viva e desvendar o caso que a tanto tempo lhe tira a paz.

“No dia que eu estava no Conselho Tutelar trabalhando, eu levei seis facadas, e uma delas foi bem profunda que rompeu meu baço, e quando vi que estava perdendo os meus sentidos, eu pedi a Deus que não me levasse enquanto eu não descobrisse o que aconteceu com os meus filhos, sem desvendar o que foi o caso Tijucal”, relatou em lágrimas.

Ainda emocionada Odilza relatou que até hoje não acredita que os filhos estão mortos e que ainda estão vivos, e que só quer uma solução e mais nada.

“Eu só quero saber o que aconteceu, pois eu acredito que eles não estão mortos, pra mim eles ainda estão vivos, eu só quero a verdade, e um dia alguém vai falar o que aconteceu, eu tenho certeza, e um dinheiro que tenho para receber de danos morais, vai servir para isso, para descobrir a verdade, pois hoje, o que fala mais é dinheiro”, concluiu.

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Reportagens realizada pelos colaboradores, em conjunto, ou com assessorias de imprensa.

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