Em 1º de julho de 1994, a inflação no país era de 6.433%, isso mesmo, uma hiperinflação que foi até apelidada de "dragão". A data marca o início da circulação do Real no Brasil, que trouxe consequências positivas também para Mato Grosso, por possibilitar terreno fértil para investimentos, através da tão sonhada estabilidade financeira.
Antes do Plano Real o país passou por 5 planos econômicos: Cruzado (1986), Bresser (1987), Verão (1989), Collor I (1990) e Collor II (1991). A implantação do Real foi tão bem sucedida que garantiu a eleição do então ministro da Fazenda, Fernando Henrique Cardoso.
Em 25 anos a moeda provou sua força e estabilidade, porém, na época a medida foi recebida com desconfiança, especialmente por causa das tentativas anteriores, que tinham causado até o confisco do dinheiro na poupança.
“A população estava cética e com razão, porque até a poupança já tinho sido sequestrada. O povo estava desesperançado, por mais que torcesse para dar certo. O ceticismo foi desaparecendo e Mato Grosso foi o estado que mais cresceu com o Plano Real”, lembra o deputado estadual Wilson Santos (PSDB).
Além da troca da moeda, o Plano Real trazia medidas como controle das contas públicas e uso do dólar como parâmetro para a taxa de juros. No dia anterior à circulação do Real, as agências bancárias ficaram lotadas de clientes reclamando, e temendo, pelos preços em Real.
Nessa época, a hoje mestre em economia Lucinéia Soares estava no ensino médio e precisou fazer um trabalho escolar sobre o tema. “Foi uma mudança muito drástica e a população demorou um pouco para se acostumar, porque estava traumatizada com a questão da poupança”.
Depois da desconfiança inicial, a redução da inflação trouxe benefícios para todos os estados. “Foi um marco tanto na macro economia quando na economia regional. A economia estável, sem muita oscilação é favorável ao desenvolvimento”, avalia a economista.
Wilson Santos aponta vários setores que foram beneficiados pelo Plano Real. “Mato Grosso passou de importador para exportador de energia, teve a chegada do gás da Bolívia na Capital, o gigantesco crescimento na produção agrícola. Mato Grosso é um estado que deve muito ao Plano Real”.
Para o diretor administrativo da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT), Lucas Costa Beber, o real foi um dos fatores que colaborou para o crescimento da produção, mas não o único. “O Real colaborou, trouxe estabilidade econômica, não só para a agricultura, mas para todos os setores. Vontade humana e as tecnologias, através da pesquisa, foram também fatores que possibilitaram que Mato Grosso tivesse altas produtividades”.