Dono de um potencial agrícola que o coloca na liderança nacional da produção de grãos, Mato Grosso desperta o interesse de investidores estrangeiros justamente por um dos seus principais gargalos: a falta de capacidade para armazenar a própria produção. Uma empresa americana especializada na fabricação de silos e armazéns, sediada no estado de Iowa, nos Estados Unidos, estuda instalar uma unidade fabril no estado para produzir estruturas metálicas destinadas ao setor.
A proposta foi apresentada durante visita à Federação das Indústrias de Mato Grosso (Fiemt), em Cuiabá, onde representantes da companhia se reuniram com a diretoria da entidade e a equipe do Observatório de Mato Grosso. No encontro, foram apresentados indicadores econômicos e produtivos que reforçam o protagonismo do estado no agronegócio e evidenciam a necessidade de ampliar os investimentos em infraestrutura de armazenagem.
Os dados mostram que Mato Grosso consolidou sua liderança nacional na produção de grãos e biocombustíveis. Na última década, a produção de soja cresceu 96,45%, garantindo ao estado quase 29% da produção brasileira. Já o milho registrou avanço de 257,5% no período, fazendo com que Mato Grosso responda atualmente por cerca de 39% de todo o cereal produzido no país. O estado também é o segundo maior produtor nacional de etanol e lidera a produção de etanol de milho.
Segundo o superintendente da Fiemt, Lucas Barros, o crescimento da produção precisa ser acompanhado por investimentos em infraestrutura. “Hoje, um dos nossos maiores desafios é a armazenagem. Produzimos mais do que conseguimos armazenar, o que gera custos, reduz competitividade e limita o potencial de crescimento da cadeia produtiva. A visita dessa empresa demonstra que o mercado internacional enxerga as oportunidades que existem em Mato Grosso. Para a Fiemt, atrair indústrias que agreguem valor, gerem empregos e ajudem a superar gargalos históricos é estratégico para fortalecer o desenvolvimento do estado e ampliar a competitividade do agronegócio e da indústria mato-grossense”, afirmou.
O déficit de armazenagem ajuda a explicar o interesse da companhia americana. Conforme levantamento da Fiemt, com base em dados do IBGE e da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), 126 municípios mato-grossenses não possuem capacidade suficiente para estocar a produção agrícola. Em 105 deles, a estrutura disponível atende menos da metade do volume colhido, enquanto 35 municípios não contam com nenhuma unidade de armazenagem. Considerando apenas a produção de soja e milho de 2023, Mato Grosso deixou de ter capacidade para armazenar 42,3 milhões de toneladas de grãos, cenário que aumenta os custos logísticos e reforça a demanda por novos investimentos no setor.



