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edução da jornada pode causar “colapso” em pequenos negócios

A discussão sobre a modernização da jornada de trabalho no Brasil ganhou novos e complexos contornos durante o Fórum LIDE, realizado nesta terça-feira (14 de abril de 2026) em Cuiabá. O centro do debate foi a proposta de redução da escala 6×1, pauta que divide o governo federal e as principais federações produtivas de Mato Grosso.

A Visão do Senador Carlos Fávaro O senador e ex-ministro Carlos Fávaro trouxe uma perspectiva que separa a capacidade de adaptação por setor. Segundo ele, o agronegócio, devido à sua dinâmica de safra e entre-safra, teria condições de migrar para uma escala 5×2 sem grandes traumas operacionais. No entanto, o parlamentar foi incisivo ao alertar para o destino das micro e pequenas empresas.

“Não é factível para todo mundo a mudança, ela poderia gerar colapso para o empresário. Uma pequena empresa não consegue fazer o que o agro faz”, afirmou Fávaro, sinalizando que seu voto dependerá de uma análise que proteja o pequeno empreendedor.

Indústria e Comércio em Alerta As federações patronais de Mato Grosso reagiram com cautela e preocupação. Silvio Rangel, presidente da Fiemt, defendeu a necessidade de “esmiuçar” a proposta, alegando que o impacto varia drasticamente entre diferentes cadeias industriais. Já a Fecomércio-MT foi mais enfática, projetando um impacto bilionário e negativo para o setor de serviços e turismo, caso a mudança seja imposta sem um período de transição ou compensações fiscais.

O Calendário da Política Enquanto o setor produtivo pede tempo, o Palácio do Planalto parece ter pressa. Com o olhar fixo nas eleições de 2026, o presidente Lula busca aproveitar o apelo popular da medida para agilizar o envio de uma proposta ainda neste semestre. A estratégia é clara: transformar a redução da jornada em um trunfo eleitoral, deixando o ônus da resistência para o setor empresarial e para a oposição no Congresso.

O debate em Cuiabá confirma que a jornada 6×1 é, hoje, o principal ponto de fricção entre a busca por qualidade de vida do trabalhador e a sobrevivência financeira do comércio de rua. A solução, ao que tudo indica, não será uma “tabela única”, mas um mosaico de exceções e regras específicas.

Lucas Bellinello

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