Economia

Depois de emprestar ao Beto Carrero, BNDES quer liquidar débito com Hopi Hari

Depois de aprovar o empréstimo de R$ 50,4 milhões à J.B World Entretenimentos, empresa que opera o parque temático Beto Carrero World, em Santa Catarina, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES)vai se concentrar em executar uma dívida contraída por outro parque, o Hopi Hari, de Vinhedo, São Paulo, que deve ao banco de fomento R$ 230 milhões – algo em torno de R$ 300 milhões, segundo valores atualizados.

Em janeiro, o BNDES recebeu do Tribunal de Justiça de São Paulo aval para liquidar o débito. O banco está agora executando a dívida e vai pedir o imediato leilão dos bens do parque que já foram avaliados.

A decisão do BNDES faz parte de sua nova orientação, agora sob o comando do ex-ministro da Fazenda Joaquim Levy. Segundo fontes do banco de fomento, a instituição enxerga como um ônus a associação entre o novo empréstimo ao parque Beto Carreiro e a dívida que se arrasta há anos com o Hopi Hari, sem prazo para quitação.

Segundo o banco, o empréstimo ao Beto Carreiro representa 58,5% do plano total de investimento da companhia, que é de R$ 86,1 milhões e é focado na modernização e ampliação das atrações. Já o Hopi Hari prolonga uma Recuperação Judicial há dois anos e meio.

Em abril do ano passado, a empresa aprovou um plano de recuperação que inclui apenas as dívidas trabalhista, excluindo todos os demais credores, inclusive o BNDES. A estratégia foi conduzida pelo advogado Sergio Emerenciano, do escritório Emerenciano Baggio & Associados.

A decisão causou uma enxurrada de processos dos credores, que partiram para ações individuais na tentativa de recuperarem seus investimentos. No começo do ano, o TJ de São Paulo anulou o plano de Recuperação Judicial do parque.

"Dificilmente o BNDES vai pedir falência de uma empresa com 400 funcionários", disse na época Emerenciano. No mês passado, o escritório protocolou a renúncia do processo. Atualmente, a empresa é representada pela banca da Barci de Moraes, de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, do Superior Tribunal Federal (STF).

O novo escritório enviou para o desembargador um novo plano de recuperação que, basicamente, atrasa todos os pagamentos em 12 meses e prevê o pagamento ao BNDES. No entanto, a empresa não dá garantias e nem detalha como faria esse pagamento. Procurado pela reportagem, o escritório não se pronunciou.

Céticos

Apesar da nova orientação do banco, alguns credores são céticos quanto à decisão de liquidar os débitos. "O BNDES não tem interesse em fechar o parque. Mas em minha opinião têm que haver a possibilidade de receber o que emprestou. O que significa apresentar formalmente como será o pagamento e as premissas que garantam esse pagamento e suas garantias", destaca um ex-executivo do parque, que prefere não se identificar.

Redação

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