Em um movimento que redefine o papel da universidade pública no século XXI, a Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat) deu início a um dos seus projetos mais sensíveis e urgentes. Através da Facsal de Tangará da Serra, a instituição está imersa nas aldeias Negarotê e Branca, em Comodoro, com uma missão clara: dar corpo escrito às línguas Kithãuhlu e Negarotê.
A Urgência da Escrita Embora esses povos mantenham sua tradição oral vibrante, a pressão constante do sistema de ensino em língua portuguesa funciona como um processo de erosão cultural. O projeto, coordenado pela Dra. Mônica Cidele da Cruz, busca frear esse desaparecimento ao estruturar uma gramática técnica e produzir materiais didáticos que permitam às crianças aprenderem matemática, história e ciências no seu idioma materno.
Metodologia: O Pesquisador como Ouvinte O diferencial desta ação é a metodologia participativa. Não se trata de acadêmicos “coletando dados”, mas de uma construção conjunta. Com 32 integrantes, a equipe inclui alunos indígenas de pós-graduação, como Adriana Negarotê, que atuam como pontes entre o saber ancestral e as ferramentas da linguística moderna. O objetivo é que, até outubro de 2026, as aldeias tenham em mãos manuais de apoio que são, na verdade, ferramentas de soberania.
Unemat: O Epicentro da Educação Indígena A iniciativa não é isolada. A Unemat consolidou-se como referência global ao reservar 5% de suas vagas para indígenas e lançar cursos pioneiros como o de Enfermagem Intercultural Indígena. Para o Dr. Wellington Quintino, cada página de material didático produzida é um “antídoto” contra o esquecimento.
Ao transformar a fluência oral em conhecimento técnico estruturado, a Unemat garante que o som das aldeias Nambikwara continue ecoando, não apenas como uma lembrança do passado, mas como uma língua viva, capaz de narrar o futuro nas salas de aula de Mato Grosso.



