A segurança em saúde na Baixada Cuiabana atravessa um dos seus momentos mais delicados neste mês de abril de 2026. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), peça fundamental para o salvamento de vidas, está operando com menos da metade de sua frota. Segundo o sindicato da categoria (Sisma), das 12 unidades disponíveis, sete estão fora de circulação exclusivamente por falta de profissionais.
O Impacto na Ponta: O Caso do Parque das Águas A gravidade da situação foi sentida durante a preparação para o aniversário de Cuiabá. Um trabalhador que caiu de uma altura de 4 metros precisou esperar mais de meia hora pelo socorro — um tempo que pode ser fatal em casos de trauma. “Urgências surgem a todo momento. Se a ambulância não está pronta, a população é quem paga a conta”, alertou Carlos Mesquita, presidente do Sisma.
Bases Desativadas e Cidades Desguarnecidas O desligamento de 56 servidores, muitos deles veteranos da linha de frente na pandemia, provocou o fechamento de bases vitais. Confira as regiões mais afetadas:
- Em Cuiabá: Centro, Parque Cuiabá, Parque Ohara, Pedra 90, São João Del Rey e Macaubal.
- Em Várzea Grande: Grande Cristo Rei, São Mateus, Chapéu do Sol e Marajoara.
- Mobilidade: As motolâncias, essenciais para furar o trânsito pesado das duas cidades, também estão inoperantes.
O Embate Político O secretário estadual de Saúde, Juliano Melo, é o centro das críticas. Acusado de intransigência pelos servidores, ele foi convocado para prestar esclarecimentos na Assembleia Legislativa na próxima quarta-feira (22 de abril). Para os profissionais, no entanto, aguardar o rito burocrático é um luxo que os pacientes em estado grave não possuem.
“Infelizmente, o secretário está sendo muito intransigente. Nós não queremos privilégios, queremos trabalhar e fazer o nosso serviço”, pontuou Mesquita.
Sem anunciar greve oficial, a categoria agora aposta na pressão política e na conscientização popular por meio de panfletagens. A demanda é clara: a substituição imediata dos servidores desligados e a reativação total das 12 unidades. Enquanto o impasse continua, a população de Cuiabá e Várzea Grande segue dependendo de uma frota reduzida, onde a “sorte” de não ter uma emergência simultânea tornou-se o principal plano de saúde de muitos cidadãos.



