Economia

Crise na Turquia força queda da Bolsa em 1,94% e dólar encosta nos R$ 3,90

A crise na Turquia voltou a assustar os mercados globais nesta quarta-feira, 15. O dólar se valorizou principalmente frente a moedas emergentes, incluindo o real, e terminou o pregão em alta de 0,93%, a R$ 3,8978. Já a Bolsa encerrou o pregão em baixa de 1,94%, aos 77.077,99 pontos.

Os temores quanto à disseminação dos problemas financeiros da Turquia continuaram a se difundir pelos mercados. A busca desenfreada por proteção não poupou os mercados de dívida, com os títulos públicos de países desenvolvidos sendo fortemente procurados, enquanto o dólar mostrou ainda mais vigor em relação a moedas emergentes, diante da robustez apresentada pela economia dos Estados Unidos.

"A volatilidade nos ativos de mercados emergentes não é incomum e não impede o desempenho positivo no médio a longo prazo. Não achamos que a atual situação na Turquia seja um termômetro para o complexo de moedas de países em desenvolvimento, mas a extensão da volatilidade nos ativos turcos provavelmente desafiará o sentimento dos investidores em relação às emergentes no curto prazo", disseram analistas do Goldman Sachs em nota a clientes.

Dólar se fortalece ante moedas emergentes

As preocupações com a crise na Turquia e seus desdobramentos voltaram a impor perdas aos mercados emergentes nesta quarta-feira, levando o dólar a se fortalecer ante a grande maioria das divisas desses países. Não foi diferente no Brasil, onde a moeda chegou a ser negociada acima R$ 3,92 no mercado à vista, no auge da busca do investidor por proteção. A moeda fechou em alta de 0,93%, cotada a R$ 3,8978. No acumulado de agosto, a moeda americana contabiliza ganho de 3,79% sobre o real.

No entanto, apesar do temor mundial em relação às dificuldades financeiras e comerciais da Turquia, a lira turca andou na contramão dos demais mercados e subiu ante o dólar, mantendo a trajetória de recuperação da terça-feira, 14. A moeda ganhou sustentação com a notícia de que o Catar se comprometeu a investir US$ 15 bilhões em solo turco.

Às 17h14, o dólar tinha queda de 7,90% ante a lira, mas subia ante praticamente todas as divisas emergentes, com destaque para o rand sul-africano (+2,49%), o rublo (+1,49%), o peso mexicano (+1,65%) e o peso chileno (+1,43%). Já o Dollar Index (DXY), que mede a variação do dólar ante uma cesta de seis moedas fortes, recuava 0,07%, aos 70,74 pontos.

Para José Faria Junior, diretor da Wagner Investimentos, o câmbio brasileiro tem demonstrado um comportamento relativamente calmo diante das turbulências do mercado internacional com a crise na Turquia. "O quadro é ruim, mas o dólar não está nas máximas históricas, como ocorre em outros países. Isso significa que, com a esperada resolução da crise da Turquia em algum momento, há potencial para a cotação recuar ao patamar dos R$ 3,80", afirmou o profissional.

Uma série de fatores externos puxou a Bolsa brasileira para baixo no pregão desta quarta-feira, 15. O recrudescimento da crise na Turquia, que deixou os mercados na defensiva, o desempenho negativo das bolsas americanas e as perdas registradas na cotação dos contratos futuros das commodities fizeram com que o Ibovespa operasse durante toda a sessão em baixa. O principal índice do mercado acionário brasileiro fechou em queda de 1,94%, aos 77.077,99 pontos.

As ações mais líquidas foram determinantes para o desempenho do índice. Petrobrás e Vale seguiram os sinais negativos das commodities e de seus pares no exterior. Os papéis da estatal do petróleo encerraram o pregão com perdas e 3,95% (ON) e 4,65% (PN), na mínima. A mineradora brasileira, cuja ação ordinária recuou 4,45%, também espelhou as quedas de 5,11% da BHP e de 3,20% da Rio Tinto 3,20%, em Londres. No bloco financeiro, Banco do Brasil perdeu 2,12%, Bradesco, 1,20% e Itaú Unibanco, 0,67%.

Os sinais negativos do exterior foram fortes e vieram logo cedo com as bolsas asiáticas fechando em queda, pressionadas pelo fraco desempenho das ações de tecnologia, aversão ao risco pela crise na Turquia. Além disso há sinais de descontentamento com a liderança do presidente da China, Xi Jinping, a economia chinesa perde vigor e vieram à tona escândalos nos setores da saúde pública e financeiro. Nos Estados Unidos, a queda também foi generalizada.

Filipe Villegas, Analista Genial Investimentos, afirma que, graficamente, existe um suporte importante para o Ibovespa por volta dos 76 mil pontos. "Se perder esse suporte, a expectativa é de que o movimento de queda se aprofunde", diz.

Ele faz um comparativo com o índice de mercados emergentes da MSCI para mostrar que ainda há espaço para o Ibovespa recuar. De acordo com ele, há uma hora do encerramento do pregão desta quarta-feira, 15, o índice apontava queda de 10,98% no acumulado de 2018 enquanto o Ibovespa mostrava leve alta de 0,78% no mesmo período de comparação. "Efetivamente existe um espaço para uma correção mais forte da bolsa brasileira, principalmente se o investidor estrangeiro resolver sair de Brasil", afirmou.

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Redação

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