Um morador de Machadinho, na Região Norte do Rio Grande do Sul, foi surpreendido com uma conta de luz no valor de R$ 21 mil. A cobrança foi feita pela companhia de energia elétrica após o cliente pedir a troca de um poste que poderia cair sobre sua casa.
Há mais de 10 anos, moradores da rua onde fica a residência do agricultor José Flávio Miola reclamam da situação. Eles afirmam que o poste, cuja madeira já está podre e cedendo, apresenta perigo de cair. O engenheiro civil Afonso Duarte, que presta serviço para a prefeitura do município, confirma a versão dos vizinhos do agricultor e diz que o poste já deveria ter sido substituído há tempos.
"A gente pode notar as condições do poste, praticamente solto. A base está solta, segura apenas pela fiação, o que traz risco eminente de queda e riscos para os moradores da residência. Em dias de vento e chuva, ele pode vir a cair", afirma o engenheiro.
Desconfiado do risco, José pediu várias vezes para a empresa de energia elétrica responsável substituir o poste de madeira por um novo. Como não teve retorno, ajuizou uma ação no juizado de pequenas causas.
Para sua surpresa, porém, dias depois recebeu uma comunicação da empresa pelo correio com um orçamento e um boleto bancário no valor de R$ 21 mil. Caso ele não fosse quitado, José deveria solicitar um novo orçamento e pagar para que a obra continuasse.
"Eu sou leigo no assunto, mas tenho entendimento que seria da RGE a troca e manutenção do material que está há mais de 30 anos nesse local, é um poste antigo", afirma o morador.
O entendimento da juíza responsável pelo processo foi o mesmo. Ela determinou que a empresa fizesse a substituição do poste até esta sexta-feira (25) e que a obra não fosse cobrada do cliente. Ainda assim, a empresa seguiu querendo cobrar a conta de José.
Quando procurada, a RGE disse que, como havia uma determinação da Justiça proibindo a cobrança, o boleto não deveria ter sido enviado, mas que, não fosse isso, o cliente deveria mesmo pagar pela troca, já que, no entendimento da empresa, o poste não precisava ser trocado.
"Conforme a demanda, esse cliente ingressa junto à concessionária. O pedido é analisado por uma área técnica e é verificado o que a legislação permite, o que é direito e dever do interessado. Sendo dever dele, será cobrado", afirma o consultor de negócios da RGE, Cláudio Rodrigo Manica.
Depois de meses de incomodação, José teve sua solicitação atendida. O poste em situação de risco que fica em frente a sua casa foi trocado pela RGE na quinta-feira (24), um dia antes do prazo. Nada foi cobrado do agricultor pela obra.
Fonte: G1

