O diagnóstico de HIV cresceu 244% em Mato Grosso nos últimos seis anos. O número de pessoas diagnosticadas como soropositivo saltou de 186, em 2012, para 640 neste ano, com aceleração no volume de casos a partir de 2014. Dados são da SES (Secretaria de Saúde) e mostram registros feitos até outubro de 2017. Mas, esse número, referente a adultos, pode ser até cinco vezes maior, considerando a subnotificação de casos.
No mesmo período, a quantidade de pessoas diagnosticadas com avanço do vírus para a aids teve variação, mas se manteve acima de 360 casos, correspondendo a uma infecção por dia. Na soma, Mato Grosso teve registro de 2.905 casos de aids.
Conforme a SES, em 2012, 576 pessoas foram diagnosticadas com a aids; no ano seguinte, esse número passou para 587; em 2014, a quantidade chegou a 623. Em 2015, houve início de queda no número de registros, que somaram em 464; em 2016, passou para 378 e até outubro deste ano, foram registrados 277.
“A proporção de casos está superior à média nacional, é volume grande. Na minha opinião estão ocorrendo duas coisas. Primeiro, existe banalização da doença pela informação de coquetéis disponíveis para tratamento, garante qualidade. Mas, é preciso lembrar que não é a mesma qualidade de vida da pessoa que não tem a doença. Quem tem aids, não tem a mesma vida de uma vida sem a doença, mesmo que os coquetéis proporcionem certa qualidade, isso está sendo ignorado”, diz Clóvis Arantes, membro do Conselho de Igualdade Sexual de Gênero.
Segundo problema identificado pelo ativistas está relacionado às políticas públicas de combate à doença, mas não supera a “banalização” sobre os efeitos da infecção. “As políticas públicas precisam melhorar, existe fraca estrutura para o atendimento adequado sobre a doença. Mas, ainda na minha opinião, há informação para usar camisinha, e o que falta é usar a camisinha realmente”.
Conforme dados do Ministério da Saúde, houve aumento de 4% no número de casos de HIV no país entre 2015 e 2016, com registro de 36.360 e 37.884, respectivamente. No mesmo período em Mato Grosso, os casos aumentaram 7,6%.
O ministério explica o aumento pela obrigatoriedade de notificação a partir de 2014. No entanto, para Clóvis Arantes, Mato Grosso está linha de Estados com subnotificação da doença por questão de desinformação, vergonha de identificação do paciente e preconceito.
“Esses números de Mato Grosso já são altos, mas é preciso considerar que os casos são subnotificados, e nesta situação a estimativa mais próxima da realidade é de três a cinco vezes maior que os casos registrados”.
“E entra uma série de problemas nesta parte. Há pessoas que transmitem a doença sem mesmo saber que está infectada, há banalização e problemas de falta de informação sobre os perigos da doença”, complementa.
FAIXA ETÁRIA
A SES aponta maior número de casos dentre pessoas com mais de 35 anos de idade. Entre 2007 e 2017, 116 pessoas diagnosticadas com a aids tinham entre 15 e 19 anos; 2.105, entre 20 e 34 anos; 2.255, estavam na faixa etária entre 35 e 49; e 913 tinham mais de 50 anos.



