A bióloga Rafaela Screnci foi condenada a seis anos de prisão pelo atropelamento que resultou na morte de Ramón Viveiros, de 25 anos, e Myllena de Lacerda Inocêncio, de 22, em frente à boate Valley Pub, em Cuiabá, na madrugada de 23 de dezembro de 2018. A decisão foi proferida pelo Tribunal do Júri nesta terça-feira (23), após mais de 12 horas de julgamento, quase oito anos após o crime.
Os jurados reconheceram a prática de homicídio culposo, quando não há intenção de matar, em relação às duas vítimas. A sentença determina o cumprimento da pena em regime semiaberto e também proíbe Rafaela de dirigir durante os seis anos da condenação. Após a leitura da decisão, houve tumulto no plenário, principalmente por parte de familiares de Ramón, que consideraram a pena insuficiente.
Durante o julgamento, a ré se emocionou em diversos momentos e afirmou aos jurados que não era um monstro, destacando que sua vida também teria sido profundamente afetada pelo acidente. Ao final da sessão, Rafaela e seus familiares deixaram o fórum sob escolta para garantir a segurança, sem conceder entrevistas à imprensa.
O Ministério Público de Mato Grosso sustentou a tese de que a motorista havia ingerido bebida alcoólica antes de dirigir e que assumiu o risco de provocar mortes ao conduzir o veículo. Um dos vídeos exibidos aos jurados mostrou que não houve tentativa de frenagem antes do impacto, e as vítimas foram arremessadas a vários metros de distância devido à força da colisão.
A promotora Marcelle Rodrigues informou que irá recorrer da decisão. Rafaela já havia sido inocentada anteriormente, mas o julgamento acabou anulado. Desde então, a defesa recorreu em diversas instâncias para evitar a realização de um novo Tribunal do Júri. Com a condenação, o caso volta a ter um desfecho judicial, embora ainda possa ser objeto de novos recursos.



