Um desabamento de casarão histórico, no centro de Cuiabá, ocorreu nesta sexta-feira (17) com a chuva forte dos últimos dias. É o segundo episódio de desabamento parcial do mesmo prédio, no Beco do Candeeiro (antiga Tua de Baixo), em menos de dois anos. Desta vez, quase um terço da parede, construído com adobe, caiu.
Em março de 2018 ocorreu o primeiro desabamento, também durante o período de chuvas frequentes em Cuiabá. Antes como agora, os pedaços de adobes ocuparam a viela e foram retirados por moradores na região.
No dia 1º deste ano moradores e comerciantes do Centro Histórico pediram reforma dos prédios para a preservação do patrimônio. Eles afirmam já terem tentado intervir, mas são impedidos por órgãos fiscalizados devido à falta de projetos adequados para a reforma.
Em fevereiro do ano passado, o prédio da Gráfica Pepê perdeu quase toda a fachada num desmoronamento. A intensa chuva corrói o adobe (mistura de barro e capim), que vem sendo desgastando ao longo dos séculos.
O prédio que desabou nesta semana é do século XVIII, a Gráfica Pepê é um pouco mais antiga, de meados do século XVII.
Em nota, o Iphan (Instituto do Patrimônio e Histórico e Artístico Nacional) informou que notificou o dono do prédio no início de 2019. Uma autorização para correção do prédio foi liberada, mas “conforme constatado agora, ela não foi executada pelo proprietário conforme critério definidos pelo Instituto”. Um novo requerimento foi apresentado pelo proprietário hoje.
Avaliação de risco
Um relatório parcial divulgado em setembro de 2019 pelo Ministério Público aponta 43 prédios no centro histórico de Cuiabá com risco de desabamento. São prédios abandonados e alguns estão ocupados (com dono ou morador). A identificação faz parte das primeiras apurações do inquérito que apura a condição de 98 prédios, desde janeiro deste ano.
Há imóveis abandonados na Praça do Rosário, nas avenidas Tenente Coronel Duarte (Prainha) e nas ruas Pedro Celestino, Barão de Melgaço, calçadão Ricardo Franco, Voluntários da Pátria, Sete de Setembro, entre outros endereços.
A investigação partiu do desabamento da Gráfica Pepê, casarão centenário, na rua Galdino Pimentel. No fim de janeiro, a maior parte da fachada do casarão desabou durante o período de chuvas.



