Cidades

Cartinhas são esperança para milhares de crianças

Um brilho nos olhos e aquela sensação de esperança são duas das características mais comoventes de milhares de crianças à espera de um Natal feliz. Por isso, há 28 anos a empresa de correspondências em Mato Grosso, os Correios, realiza a Campanha Papai Noel dos Correios, cujo objetivo é estimular a escrita e o desenvolvimento textual por meio da produção de cartas nas quais são depositados pedidos natalinos, figurados na maioria deles, em sonhos.

Neste ano, uma novidade visa atender mais pedidos e proporcionar assim um Natal inesquecível a essas crianças que nem sempre pedem bens materiais. A ideia é aumentar o número de padrinhos para abraçar a causa e beneficiar mais crianças. Por isso, foi criado na internet um blog com o endereço Blog dos Correios, em que está direcionado o passo a passo de como participar. O interessado pode conferir na íntegra o relato de todas as cartas, sendo possível estabelecer contato com a central de atendimento para encaminhar o presente selecionado.

Os pedidos são dos mais variáveis possíveis e vão desde brinquedos a roupas, calçados e eletrônicos. Mas há casos de crianças que pedem o mínimo de dignidade, como, por exemplo, a compra de uma cesta básica para a família sobreviver e até insumos e medicamentos, para dar sequência a algum tipo de tratamento de saúde.

De acordo com o superintendente estadual dos Correios, Gilson do Espírito Santo, o estado aderiu ao Plano Piloto que comtempla essa nova ferramenta digital. “Mato Grosso, juntamente com outros estados está participando do Plano Piloto. É importante dizer que existe o prazo do dia 3 a 24 de novembro. Após essa data, essas correspondências voltam para o espaço físico e ficam à disposição dos padrinhos, como ocorre hoje normalmente”, disse.

Já a seleção física, acontece uma vez por ano depois da data de finalização do recebimento das cartas. Os profissionais também recebem uma aula de como selecionar cada correspondência, com base na orientação dos critérios a serem cumpridos. A intenção é beneficiar principalmente crianças que estão na linha de vulnerabilidade social.

De acordo com o representante da esfera estadual, as crianças estão livres para pedir o que desejarem, haja vista que o padrinho é quem vai decidir se tem condições de comprar ou não, podendo ele selecionar outra carta.

Razão social e solidária

Mas não é somente esse motivo que leva a campanha a ser estendida a todo o país. Por trás, há uma razão social e solidária que busca atender principalmente os anseios da população carente, que não tem condições financeiras de proporcionar um Natal digno e farto aos seus familiares. Este é um leque que abrange não somente a instituição como também a sociedade organizada, que busca se comprometer em adotar esses pedidos, que são inúmeros.

É nesse momento que surgem os padrinhos. Para essas pessoas, a palavra solidariedade está muito mais distante do que somente pronunciá-la. No grego, a origem remete ao fato de “responsabilidade recíproca”, por entender que consiste no ato de ajudar pessoas desamparadas à espera de um retorno social.

O apadrinhamento, contudo, leva a reconhecer a situação delicada de uma pessoa ou grupo social, de modo que a atitude reflete em despertar a sensação de “dever cumprido” e humanizado, em busca de ampliar o vínculo social.

Na campanha dos Correios, os padrinhos podem ir até uma agência ou unidades do Ganha Tempo em Cuiabá e Várzea Grande e adotar uma cartinha.

A campanha

Um balanço da empresa de correspondência mostra que no decorrer de três anos os Correios recebeu quase 3 milhões de pacotes com destinação ao Papai Noel. Desse total, 80% foram respondidos com a entrega de presentes.

No entanto, o superintendente frisa a importância de respeitar os critérios estabelecidos para participar da campanha, uma vez que a intenção é beneficiar principalmente crianças que estão na linha de vulnerabilidade social e de regiões periféricas.

“São crianças de até 10 anos da comunidade que podem participar, alunos da rede pública de ensino do 1° ao 5° ano – dependendo da idade – haja vista que em nível nacional 80% das correspondências foram adotadas por pessoas solidárias. Isto significa que são da ordem de 1,3 milhão as crianças adotadas”, disse à reportagem.

Gilson lembra que a realização do projeto aconteceu graças à iniciativa dos funcionários, que se sensibilizaram com as histórias contadas por crianças que por um motivo ou outro ficaram sem receber o presente de Natal.

Caso comovente

Maria Luíza foi uma das alunas escolhidas para participar do projeto. Ela tem 4 anos e é portadora de esquizenfalia tipo II, que é uma rara má formação no cérebro associada a falha na migração de neurônios.

Ela não anda, não fala e é dependente de cadeira de rodas, que está muito velha e já não suporta transitar. Com ajuda da professora, Maria Luíza pediu ao Papai Noel que a presenteie com uma nova cadeira, já que a família não tem condições de comprar.

Acesse o blog aqui

 

Redação

About Author

Reportagens realizada pelos colaboradores, em conjunto, ou com assessorias de imprensa.

Você também pode se interessar

Cidades

Fifa confirma e Valcke não vem ao Brasil no dia 12

 Na visita, Valcke iria a três estádios da Copa: Arena Pernambuco, na segunda-feira, Estádio Nacional Mané Garrincha, na terça, e
Cidades

Brasileiros usam 15 bi de sacolas plásticas por ano

Dar uma destinação adequada a essas sacolas e incentivar o uso das chamadas ecobags tem sido prioridade em muitos países.