Dois guardas-civis foram vistos pelo G1 aplicando multas de trânsito na Zona Sul de São Paulo às 14h desta terça-feira (21). A ação acontece poucos meses após João Doria (PSDB) criticar, durante a campanha para a Prefeitura, o uso da Guarda Civil Metropolitana (GCM) para multar motoristas na cidade.
Um dos guardas estava com um bloco de multas em que anotava informações dos carros que passavam pelas Avenidas Chucri Zaidan e Engenheiro Luís Carlos Berrini, sob a Ponte Octávio Frias de Oliveira, conhecida como Ponte Estaiada.
Questionado pelo G1, um dos guardas confirmou que ambos estavam multando motoristas e afirmou que fazem isso "há um ano". “Mesmo na gestão Doria”, disse.
O G1 procurou a assessoria de imprensa da Prefeitura às 14h15 e questionou o uso de GCMs na aplicação das multas. A administração municipal não respondeu até a publicação desta reportagem.
Os guardas começaram a ser credenciados como agentes de trânsito pela gestão Haddad em janeiro de 2015. Em apenas uma portaria, 1.597 GCMs foram habilitados a aplicar multas de trânsito. Várias portarias se seguiram desde então credenciando outros guardas.
No final de agosto de 2016, já durante a campanha eleitoral, Haddad suspendeu a operação com cerca de 80 GCMs que atuavam nas marginais com radares-pistola em meio às críticas de adversários. Não há registro no Diário Oficial, porém, de que as portarias que habilitaram centenas de guardas a atuar como autoridades de trânsito tenham sido suspensas.
Escoltas
No último dia 10, o G1 publicou reportagem que mostrava a GCM escoltando os marronzinhos da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) no trabalho de fiscalização aos motoristas nas marginais Tietê e Pinheiros, em São Paulo.
Na ocasião, questionada sobre a escolta prestada pela GCM, a gestão Doria não comentou a mudança em relação ao discurso de campanha. A CET ressaltou que a GCM não multa os motoristas. "Ela está lá para dar apoio e proteger os agentes de trânsito [que multam apenas motocilcistas com o radar pistola] nas ruas", informou.
Doria tinha colocado como uma de suas bandeiras de campanha tirar os guardas da fiscalização de trânsito para que eles fizessem a segurança de escolas, parques e unidades de saúde.
Em uma das inserções na televisão, a campanha afirmava que a GCM atuava na "indústria da multa".
“Todos esses locais poderiam ser mais seguros. Todos eles poderiam contar com viaturas da Guarda Civil Metropolitana, criada para proteger o cidadão. No lugar de contribuir para a segurança pública, sabe onde está a Guarda Civil? Trabalhando para a indústria da multa”, afirmava o vídeo publicitário de Doria.
"Não dá mais para a Guarda Civil Metropolitana ficar multando as pessoas, ao invés de cumprir o seu papel na segurança pública", afirmava o então candidato do PSDB.
Doria afirmou que os guardas estão sendo usados na escolta dos agentes da CET porque "em um passado recente houve agressões e não podemos permitir". "Por orientação do secretário Sérgio Aveleda, e eu concordei, eles acompanham única e exclusivamente os agentes que usam as pistolas", disse Doria. O prefeito ainda pediu que a população denuncie se encontrar algum guarda aplicando multas.
Um dia antes do início do programa Marginal Segura, um e-mail do comando operacional norte da Guarda Civil Metropolitana, ao qual o G1 teve acesso, convocou equipes para o início da operação com radar móvel, no dia 26.
A instrução dada aos guardas afirmou que a fiscalização ocorreria das 7h às 11h e das 14h às 18h em diversos pontos. “Inicialmente serão 5 pontos, e a guarnição para atender à fiscalização deverá ter no mínimo 02 operadores”, diz a circular.
A CET não informou quantos são os guardas empenhados no trabalho de proteger os agentes de trânsito.
Fonte: G1

