Somente nos primeiros seis meses de 2018, o Hospital e Pronto-Socorro Municipal de Cuiabá (HPSMC) contabilizou 1.071 internações envolvendo acidentes de trânsito, o que de acordo com o médico emergencista e intensivista Fábio Liberali Weissheimer, ao lado da violência criminal, são os maiores fatores que geram internações nas Unidades de Tratamento Intensivo (UTI’s) e que hoje está sobrecarregada com pacientes em situações evitáveis.
“Nós vivemos uma epidemia de acidentes de trânsito de maneira geral, e o maior problema da saúde pública hoje em dia, é o acidentado de trânsito que é denominado patologia por causas externas, ou seja, são situações que são evitáveis e com uma boa política de educação no trânsito e fiscalização, nós diminuiríamos esses problemas, principalmente relacionado a acidentes envolvendo motocicleta”, explicou Fábio ao Circuito Mato Grosso.
O acidentando de motocicleta de acordo com o médico, é sempre um paciente com maior potencial de gravidade, pois devido a falta de segurança da moto, a vítima geralmente tem uma fratura, ou Traumatismo cranioencefálico (TCE) o que requer um cuidado especial.
Fábio Liberali ainda explicou que a maior demanda do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) é socorrer vítimas de acidentes de trânsito, e que isso é um problema sério que exige alto custo do serviço público.
“Hoje a maioria dos pacientes do HPSMC são vítimas de acidente de trânsito, e isso é um problema sérissimo, pois é uma doença cara, que é uma pessoa que demanda uma ambulância com médico para atender, vai para um Pronto-Socorro e necessita fazer uma cirurgia, geralmente suas ou três, cirurgia ortopédica, uma neurocirurgia vai para um leito de UTI e posteriormente uma recuperação que pode durar meses”, detalhou.
Além desse fator, Fábio explicou que as vítimas geralmente são pacientes em idade ativa de mercado de trabalho.

“Normalmente são pacientes jovens em idade de produção laborativa, que geram impacto social grande, pois geralmente estão trabalhando, correndo atrás de alimentar a família, e com isso percebemos que este tipo de “doença”, em um cálculo antigo, revelou que um acidentado de moto, custa em média R$ 200 mil, agora imagina o quanto a gente gasta com uma doença que é previsível, e esse é grande problema da saúde pública em Cuiabá e com certeza no Brasil inteiro”.
Na região metropolitana Fábio revelou que que nos últimos seis anos com a abertura do Hospital Municipal São Benedito e o Hospital Metropolitano, foram inseridos 180 leitos, destes, 80% estão sendo ocupados por pacientes em situação ortopédica por conta dos acidentes de trânsito.
Para ele o problema do trânsito deve ser tratado com prioridade de urgência, pois é o grande problema da saúde no País.
“Eu sempre que posso me reunir com algum gestor, eu digo que o problema no trânsito deve ser tratado com prioridade zero, eu fiz um estudo quando estava no Samu, e teve o advento da Lei seca, que os chamados no Samu diminuíram em 60% por conta de uma lei que foi mais incisiva no controle de bebida alcoólica. Tem como você atacar isso, sou totalmente favorável a fiscalização e toda e qualquer ação que vá diminuir os acidentes é bem-vinda”.
Apesar da sobrecarga nas unidades que Fábio trata como um desafio para os profissionais que atuam na área emergencista, o estado tem evoluído, e herdou da Copa do Mundo de 2014 tecnologias e aprimoramentos para a área.
“Temos trabalhado desde a Copa do Mundo, o desenvolvimento da medicina de urgência e emergência a nível de Brasil, e o Ministério da Saúde tem apoiando alguns grupos organizados, como por exemplo, a Força Nacional do SUS para o se te uma quantidade de pessoas a disposição em casos de múltiplas vítimas, como o incidente da Boate Kiss por exemplo, e eu sou o representante do estado da Força Nacional do SUS”, revelou.
“Na época da Copa, por sermos uma cidade sede, houve todo um preparo da rede, tanto em hospitais do SUS, quanto da rede privada e nós recebemos representantes da Alemanha com um plano de contingência da rede se saúde, e daquela época para cá, houveram capacitações neste sentido”, completou.
Além das capacitações, Fábio Liberali contou que o Hospital Metropolitano também recebeu investimentos por conta do maior evento de futebol do mundo, e hoje disponibiliza deuma referência em acidentes chamados químicos, biológicos, radiológicos, nucleares e explosivos (QBRNE).
“Se tiver um acidente químico por exemplo, o metropolitano dispõe de materiais para isso, uma maca bolha, roupas específicas para fazer esse tipo de atendimento, nunca foi necessário utilizá-lo, mas se preciso for, lá possui essa estrutura, e são coisas que herdamos da época da copa e a população não sabe e está guardado para uma eventualidade”, finalizou.
O vereador Delegado Marcos Veloso (PV) solicitou a Prefeitura de Cuiabá o Plano Municipal de Mobilidade Urbana, com a finalidade de encontrar medidas para frear as mortes ocasionadas pela violência no trânsito na Capital.
Marcos Veloso vem cobrando enfaticamente ações que visam combater os altos índices de vítimas fatais nos acidentes de trânsito. Ele explicou que de posse do planejamento, juntamente com uma assessoria especializada, analisará o estudo e buscará algumas soluções para a atual situação.
“Pretendemos proporcionar a nossa contribuição a esse processo, principalmente na apresentação de propostas que possam diminuir os índices desses acidentes. Realizando, concomitantemente, políticas de informação e educação da população cuiabana”, enfatizou o parlamentar.
No requerimento, Marcos Veloso traça um contra censo entre as ações que apresentam as condições de trafegabilidade, sinalizações horizontal e vertical, semáforos e fiscalização, com os alarmantes e preocupantes índices de acidentes de todas as espécies.
“Acidentes esses que, não raras vezes, tem ceifado a vida de dezenas de pessoas de todas as idades, sejam condutores de veículos, sejam transeuntes. A finalidade de nossa contribuição, como vereador, é visando a manutenção da vida e a diminuição considerável desses acidentes”, pontuou Marcos Veloso.




