Cidades

Presos do semiaberto fazem protesto e se negam a voltar a presídio

Presos se reuniram em frente ao Fórum Criminal e pedem mais segurança na UP4 (Foto: Caio Fulgêncio/G1)

Um grupo de presos do semiaberto, que cumpre pena na Unidade Prisional 4 (UP4), conhecida como "Papudinha", fez um protesto em frente ao Fórum Criminal de Rio Branco e ameaça fechar rua que dá acesso ao prédio, na manhã desta segunda-feira (24). Após uma invasão na unidade, na terça (18), eles foram liberados do pernoite até o sábado (22), quando tiveram que retornar, porém, os presos alegam falta de segurança e, por isso, dizem que não vão voltar para a unidade enquanto o Estado não oferecer segurança.

Os presos da UP4 são do regime semiaberto e saem durante o dia, retornando à noite para dormir na cadeia. Quando voltavam para dormir na unidade, na noite desta terça, os detentos sofreram uma emboscada de uma quadrilha de ao menos 25 criminosos, segundo a Secretaria de Segurança.

A juíza da Vara de Execuções Penais, Luana Campos, justificou a liberação devido ao prédio ter ficado deteriorado após a tentativa de invasão e tiroteio. Na decisão, consta ainda que quando os detentos voltassem a dormir na UP4 a segurança deveria ser reforçada.

O diretor da UP4, Denis Picolo, informou que ao todo são 380 presos do semiaberto, sendo que 70 estão com tornozeleira e não precisavam ter retornado, portanto, estão em situação regular, mas os outros 310 deveriam ter dormido no presídio no sábado. Segundo ele, apenas 65 voltaram para a unidade e os 245 faltosos ainda não são considerados detentos foragidos.

Ao G1, os presos alegam que ao chegarem na unidade no sábado havia pouca segurança e poucos agentes penitenciários. Eles dizem estar temerosos e se recusam a volta à UP4 até que a segurança seja reforçada.

Farlei dos Santos, de 32 anos, está no semiaberto há uma semana. Ele diz que o prédio estava mal iluminado e que não havia reforço de homens no presídio. "Nem segurança nem agente tinha. A gente quer pagar, ninguém tá fugindo da Justiça. Erramos? Erramos. Mas, a gente quer segurança", alega.

Cumprindo pena no semiaberto há um mês, Wicley Nogueira, de 21 anos, diz que não vai voltar para o presídio até que haja um reforço na segurança do local. "Não temos nada a ver com essa guerra de facções. Mas, somos alvos deles [criminosos]. Deram pulseira para 70 e agora dizem que não têm pulseira, cadê o dinheiro das pulseiras", questiona.

A juíza Luana Campos estava em reunião e deve se posicionar sobre o pedido dos presos ainda nesta segunda.

Briga de facções no Acre
Desde 16 de outubro, o Acre registra uma onda de execuções que, segundo o secretário da Segurança, Emylson Farias, tem ligação com a briga entre duas facções rivais. O estopim dessa guerra aconteceu na noite da última terça (18), quando ao menos 25 criminosos de um grupo organizado armaram uma emboscada. Quatro pessoas foram feridas e apenas um criminoso preso.

O ataque aconteceu na Unidade Prisional 4 (UP4), quando os presos voltavam para dormir na unidade. No dia seguinte, o governo acionou 500 homens do Exército, destes 200 ficaram em Rio Branco e o restante em cidades da fronteira.

O presídio Francisco d'Oliveira Conde (FOC) também registrou um início de motim na quarta (19). O motim iniciou no pavilhão I, dentro do "Chapão", onde ficam os sentenciados. A assessoria do Iapen confirmou que um grupo de presos começou a bater nas grades e a gritar, mas a situação foi contida a tempo. A visita íntima foi suspensa devido ao ataque registrado na noite anterior.

Na quinta (20), uma briga durante o banho de sol no FOC deixou um ferido em Rio Branco. A Secretaria de Segurança Pública do Acre (Sesp-AC) informou que os presos usaram estoques durante a confusão no pátio da unidade.

No mesmo dia, durante a entrega de marmitas no presídio, os presos se rebelaram e tomaram conta de três pavilhões da FOC. Agentes do Batalhão de Operações Especiais (Bope) entraram na unidade e, inicialmente, conseguiram retomar os pavilhões L e K. O Pavilhão J foi o último a ser controlado. Após a rebelião, em coletiva, o governo afirmou que dois carcereiros foram presos sob suspeita de fornecer armas para presos atuarem no complexo.

No total, quatro presos morreram. Um chegou a ser socorrido no Hospital de Urgência e Emergência, mas não resistiu. Além disso, 19 ficaram feridos.

Na madrugada deste domingo (23), mais uma morte foi registrada na FOC. Desta vez, a vítima foi o preso Jean Carlos Nascimento da Costa, morto na cela 11 do Pavilhão A com golpes de estoque, um tipo de arma artesanal que, segundo o Iapen, foi feita com ferro por outro reeducando.

Ao G1, o diretor do presídio James Rodrigues informou que outro detento confessou o crime e foi encaminhado para a Delegacia de Flagrantes (Defla). O corpo da vítima foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML).

Fonte: G1

Redação

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Reportagens realizada pelos colaboradores, em conjunto, ou com assessorias de imprensa.

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