Mesmo com as várias iniciativas do governo para diminuir a pobreza e dar mais oportunidade à população negra do país, o Brasil não teve sucesso em prover igualdade entre as etnias de sua população. Isso é o que diz um relatório sobre Direito de Minorias da Organização das Nações Unidas (ONU), elaborado pela relatora Rita Izak.
O relatório trata da situação dos 51% da população que se considera negra ou parda. O texto foi apresentado no Conselho de Direitos Humanos do órgão.
Para Rita, o mito da “democracia racial” é um grande obstáculo para reconhecer a o problema do racismo no país. Já que de acordo com este mito, todas as raças vivem em harmonia, o que não ocorre no Brasil. Segundo a relatora isso contribuiu como um falso argumento de que a marginalização dos negros ou pardos acontece por conta da riqueza e de classe social, e não por fatores raciais e discriminação institucional.
De acordo com um levantamento da ONU, os salários dos negros no Brasil são 2,4 vezes menor que o dos brancos e 80% dos analfabetos do país são negros ou pardos.
Rita explica ainda que para a juventude, o pouco acesso à educação de qualidade, a falta de espaços comunitários, as altas taxas de abandono escolar e crime significam que os jovens tem poucas ambições ou perspectivas de vida.


