Nacional

Com tumor, idosa perde visão após 1,5 ano esperando cirurgia

A idosa Maria das Graças Ribeiro dos Santos, de 66 anos, que aguarda há um ano e meio por cirurgia na rede pública do Distrito Federal (Foto: Gustavo Ribeiro/Arquivo Pessoal)

Mesmo tendo feito todos os exames necessários, uma idosa de 66 anos aguarda há um ano e meio por cirurgia para a retirada de um tumor benigno do cérebro na rede pública do Distrito Federal. O caroço já atingiu o tamanho de uma azeitona e tem comprometido a visão e o equilíbrio da mulher. A família diz que o hospital alega não ter como marcar o procedimento por falta de anestesistas e tomógrafos. A Secretaria de Saúde informou ao G1 que investiga o caso.

Único filho da idosa, Gustavo Ribeiro criou uma petição online para sensibilizar o poder público sobre a situação. Ele diz não ter condições de arcar com o procedimento, que foi orçado em R$ 140 mil em um hospital particular. Por meio de redes sociais, a Secretaria de Saúde disse não ter o que fazer sobre o documento e se disse solidária à família.

“Eu me sinto de mãos atadas, porque eu não teria dinheiro para pagar essa cirurgia,”, disse o rapaz. “Ela foi internada na segunda passada [dia 29 de fevereiro] no Hospital de Base. Falaram que iam fazer consultas e viram que o quadro dela é realmente grave. Mas, até agora, não tem data ainda.”

De acordo com Ribeiro, os profissionais constataram que o tumor está pressionando a hipófise. A glândula é considerada “mestra” por controlar as funções de outros órgãos e produzir hormônios como os de crescimento, sexuais, produção de leite e tireoidianos. A idosa perdeu a visão de um dos olhos e 70% da do outro. Além disso, não consegue mais andar sem apoio.

“O médico disse que ela precisava fazer a cirurgia o mais rápido possível porque, se perdesse a visão completamente, não teria volta. Também disse que precisávamos ficar em cima, porque hospital estava muito lento. E que, operando logo, ela tinha 97% de chance de voltar a enxergar como antes”, conta o rapaz.

“Ela parou de fazer tudo o que ela fazia antes por causa disso. Ela não tem mais o equilíbrio que ela tinha também. Minha mãe não consegue assinar mais nada, a vida dela parou totalmente. Ela precisa de ajuda para andar, precisa de ajuda para comer, para tudo, tudo. Está com o emocional super abalado. A gente vai ao hospital e também fica supertriste, mas a gente tem que dar força para ela”, completa.

Ribeiro conta que vai ao hospital todos os dias. A unidade de saúde fica no centro da cidade, a 21 quilômetros de onde ele mora – Samambaia. Ele chega às 7h e sai às 19h. “Fico com ela o dia todo. Ela tem muita ânsia de vômito por causa do tumor.”

“A direção do Hospital de Base informa que irá apurar, rigorosamente, as circunstâncias do atendimento prestado a ela e as causas da não realização do procedimento cirúrgico”, disse a Secretaria de Saúde em nota. Ao todo, a unidade tem 46 anestesistas diariamente.

Descoberta
A idosa soube do tumor depois de procurar a Carreta da Visão. Ela se queixou de dificuldades para enxergar, mas, a princípio, foi diagnosticada apenas como tendo catarata. A cirurgia ocorreu no segundo semestre de 2014 e não resolveu o problema.

“Não adiantou nada. Aí voltamos ao médico, dessa vez fizeram ressonância e aí descobriram o tumor”, lembra Ribeiro. “Ela foi encaminhada ao Base porque o médico disse que ela precisava de uma neurocirurgia e o Base era muito bom nisso.”

A família tentou por meses uma consulta, sem sucesso. O médico nunca estava disponível. Com a ajuda de uma amiga que trabalha no hospital, o atendimento foi agendado para dez meses depois.

 

Fonte: G1

Redação

About Author

Reportagens realizada pelos colaboradores, em conjunto, ou com assessorias de imprensa.

Você também pode se interessar

Nacional

Comissão indeniza sete mulheres perseguidas pela ditadura

“As mulheres tiveram papel relevante na conquista democrática do país. Foram elas que constituíram os comitês femininos pela anistia, que
Nacional

Jovem do Distrito Federal representa o Brasil em reunião da ONU

Durante o encontro, os embaixadores vão trocar informações, experiências e visões sobre a situação do uso de drogas em seus