Nacional

Entenda porque o petróleo está em baixa e a gasolina só sobe

O Brasil anda na contramão do mundo quando o assunto é política de preços da gasolina. Enquanto a cotação do barril de petróleo despenca e o combustível fica mais barato em âmbito global, por aqui o consumidor assiste à escalada dos preços nas bombas. A chave para entender a contradição está na Petrobras, que mantém o monopólio na produção e na importação do combustível no País. No ano passado, o produto foi reajustado em 20% e continuou subindo na virada do ano, com vários Estados aumentando as alíquotas de ICMS.

“Durante alguns anos (principalmente 2012 e 2013) a Petrobras manteve os preços da gasolina administrados, mesmo com a cotação do barril de petróleo em alta. A companhia não queria que o preço alto refletisse no mercado interno e provocasse aumento da inflação. Mas essa decisão contribuiu para corroer as margens de lucro e o caixa da empresa. Agora, a empresa está aumentando o preço da gasolina mesmo com o petróleo em tendência de queda, porque se vender barato vai comprometer ainda mais o caixa”, explica o professor de Economia da Universidade Guararapes, Roberto Ferreira.

Essa política de defasagem nos preços provocou uma perda acumulada de R$ 100 bilhões para a companhia. Não bastasse os problemas apontados pela operação Lava Jato, a petrolífera também enfrenta o desafio de tocar investimentos com o encolhimento da receita. Esta semana, a Petrobras anunciou uma redução de 24,5% no Plano de Negócios 2015-2019, que passou de US$ 130,3 bilhões para US$ 98,4 bilhões. A estratégia da empresa também inclui um plano de desinvestimento, com a estimativa de venda de US$ 14,4 bilhões em ativos só este ano.

Uma boa notícia poderá ser a venda da fatia da Petrobras na Braskem. Com o dólar valorizada, a expectativa é que o valor dobre em relação a 2015. No ano passado, a participação da estatal na petroquímica era de 36,1% no capital total. Esse turbilhão de notícias negativas têm feito as ações da Petrobras despencar. Ontem, as preferenciais fecharam cotadas a R$ 5,34 com queda de 3,44%. “Há 10 anos, as ações da empresa alcançaram valor na casa dos R$ 60”, compara o economista.

A exploração do xisto, a superprodução de petróleo e a redução da economia chinesa (derrubando a por energia) são fatores que estão puxando para baixo a cotação do barril do petróleo, sem tendência de reversão da tendência de queda. Enquanto no dia 13 de janeiro de 2014, o preço do barril do petróleo brent (negociado em Londres) estava cotado a US$ 106,75. Na mesma data de 2015, a cotação já havia reduzido para US$ 47,43 e ontem o valor chegou a US$ 30,11 (menor cotação desde 2004). Em âmbito mundial, a desvalorização do preço do barril está contribuindo para segurar a inflação e contribuir pra o crescimento econômico. No Brasil, a gasolina e o diesel inflamam a inflação e tiram a competitividade de setores como o agronegócio.

A situação se agrava com o aumento da alíquota de ICMS em vários Estados, que criaram pacotes de impostos para garantir aumento da arrecadação em tempos de crise. Em Pernambuco, desde o dia 1º está vigorando uma alíquota de 29% para a gasolina, que no ano passado tinha ICMS de 27%. “Esse aumento significou um aumento de R$ 0,10 no preço da gasolina na bomba”, calcula Ferreira. Hoje o preço médio da gasolina para o consumidor em Pernambuco é de R$ 3,71, enquanto a média nacional está em R$ 3,65, segundo levantamento de preços da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). 

Fonte: UOL

Redação

About Author

Reportagens realizada pelos colaboradores, em conjunto, ou com assessorias de imprensa.

Você também pode se interessar

Nacional

Comissão indeniza sete mulheres perseguidas pela ditadura

“As mulheres tiveram papel relevante na conquista democrática do país. Foram elas que constituíram os comitês femininos pela anistia, que
Nacional

Jovem do Distrito Federal representa o Brasil em reunião da ONU

Durante o encontro, os embaixadores vão trocar informações, experiências e visões sobre a situação do uso de drogas em seus