Nacional

Entenda como a experiência com ebola vai ajudar o combate ao zika

Uma equipe de pesquisadores senegaleses do Instituto Pasteur de Dacar, que atuou na criação da vacina contra o ebola na África, vai ajudar o Brasil a criar um diagnóstico mais eficaz e rápido do vírus zika. A equipe liderada pelo cientista Amadou Sall, diretor científico do instituto, pretende dar subsídios para que seja criado um teste rápido de detecção do vírus e até uma vacina contra o zika no Brasil.

Isso porque atualmente o Brasil só dispõe de teste para dengue. O zika ou o chikungunya – todos vírus transmitidos pelo mosquito Aedes aegypti – são diagnosticados por exclusão e por sintomas. Com as evidências de que o zika é causador da microcefalia e da síndrome de Guillain-barré, o vírus se tornou uma ameaça para a saúde pública do país.

Sall e sua equipe formada pelos pesquisadores Oumar Faye, Oumar Ndiaye, Moussa Dia e Arame Ba, chegaram no início do ano ao Brasil onde já começou a trabalhar no Instituto de Ciências Biológicas da USP (Universidade de São Paulo), na capital paulista.

O objetivo da parceria, que envolve ainda a Fundação Oswaldo Cruz, do Rio de Janeiro, é transferir tecnologia e treinar equipes médicas para repassar o conhecimento a outros Estados. O Hospital Albert Einstein, em São Paulo (SP), laboratórios da bandeira Dasa no Estado, e a Pró-Sangue já receberam as amostras com o reagente desenvolvido pela equipe de Sall e farão os testes. 

Para o professor do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da USP, Paolo Zanotto, a principal prioridade desse estudo chamado Rede Zika "é evitar um surto de zika e de microcefalia em São Paulo".

1 O que os senegaleses vão fazer?
Amadou Alpha Sall estuda o vírus zika há mais de 20 anos e junto com o Pasteur criou uma reagente capaz de detectar o vírus. Aqui no Brasil ele será testado para detectar o tipo do vírus mais encontrado no país, o asiático. Se der certo, o Brasil terá um teste rápido em pouco tempo. A equipe liderada por Sall vai treinar facilitadores em São Paulo, que vão repassar o conhecimento e a tecnologia para equipes de saúde de outros Estados. Mais para frente, o grupo pretende ainda ajudar a criar uma vacina contra o zika no Brasil

2 Como isso será feito?
Uma espécie de reagente necessário para os testes já foi importado de Dacar para o Brasil e distribuído para laboratórios que os usarão em testes. Os resultados da sorologia dos pacientes serão enviados a USP e Fundação Oswaldo Cruz para serem analisados pela equipe

3 Por que só agora?
Segundo o coordenador da rede e pesquisador do ICB, Paolo Zanotto, que já estuda o vírus com a equipe de Sall há mais de 15 anos, ainda há muitas dúvidas sobre a ação do zika e os casos em seres humanos é recente. As pesquisas de peso realizadas por eles analisaram a ação do vírus em macacos. Por isso ele vê a necessidade de o Brasil analisar mais profundamente a ação do vírus, mas para isso precisa se chegar a um diagnóstico mais efetivo

4 Qual é o maior objetivo do estudo?
Segundo Zanotto, é agir antes que haja uma epidemia de casos de zika em São Paulo, o Estado mais populoso do Brasil. Isso evita também a possibilidade de aumentar os casos de microcefalia. A tendência é que um surto aconteça no alto verão, então as ações têm que começar o quanto antes, segundo o pesquisador. Quanto mais se souber sobre a ação do vírus e seu diagnóstico efetivo, mais curto fica o caminho para tratamentos e a própria vacina

5 Como a experiência com o ebola pode ajudar?
Para o pesquisador Amadou Sall, a experiência em equipe de diferentes áreas nos países africanos que sofreram com o ebola, foi fundamental para aprofundar os estudos sobre atuação e efeitos do vírus. Com a Rede Zika em ação, a tendência é que isso também aconteça por aqui. Além disso, entender o contexto social da doença é essencial, de acordo com Sall

6 O que os pesquisadores já sabem sobre o zika que não sabíamos ainda?
Os pesquisadores afirmam que ainda há muitas dúvidas sobre os efeitos do zika no organismo e, por isso fazer um diagnóstico correto é o primeiro passo para isso. Cogita-se a hipótese de que o vírus possa ser detectado pela urina e mesmo pelo saliva. Se isso se confirmar, o diagnóstico será feito de forma mais fácil e precisa

Fonte: UOL

Redação

About Author

Reportagens realizada pelos colaboradores, em conjunto, ou com assessorias de imprensa.

Você também pode se interessar

Nacional

Comissão indeniza sete mulheres perseguidas pela ditadura

“As mulheres tiveram papel relevante na conquista democrática do país. Foram elas que constituíram os comitês femininos pela anistia, que
Nacional

Jovem do Distrito Federal representa o Brasil em reunião da ONU

Durante o encontro, os embaixadores vão trocar informações, experiências e visões sobre a situação do uso de drogas em seus