Política

Deputado Fábio Garcia veta projeto astronômico de R$ 800 milhões

A retirada da pauta que prevê estudos astronômicos no Hemisfério Austral, pelo deputado Fábio Garcia (PSB) na Câmara Federal, no último dia 05, está causando controvérsia e desconforto entre estudiosos do Brasil e União Europeia. Trata-se de um projeto que propõe um investimento de R$ 800 milhões ao país, de Decreto Legislativo (1287/2013), cujo Brasil será o 15º país membro – o primeiro não europeu, nesta empreitada.

Este acordo foi relatado pelo então deputado Jorge Bittar (PT-RJ) na Comissão de Ciência e Tecnologia em 2014, para o funcionamento de um telescópio de 39 metros de diâmetro cujo projeto está atualmente em fase de detalhamento.

Será o maior “olho” do mundo para o espaço. Isso porque, sendo um telescópio extremamente grande, vai propiciar um enorme avanço no conhecimento astrofísico, permitido, a partir do Chile.

Lá ficará alocado estudos detalhados a respeito de exoplanetas, os primeiros objetos do Universo, super-buracos negros, e a natureza e distribuição da matéria escura e energia escura.

“O parlamentar mato-grossense alegou que o país não pode gastar R$ 800 milhões com pesquisas astronômicas enquanto o povo brasileiro sofre com a ausência de Saúde, Educação e segurança pública de qualidade", destaca o diretor presidente do Planetário Via-Láctea de Cuiabá/MT, Carlos Wagner Ribeiro.

Para ele este descarte é um absurdo, tendo o Brasil fora desse contexto. Ribeiro acrescenta ainda que há verbas de impostos alocadas para as áreas que o parlamentar lembra serem prioritárias como a Saúde, a Educação e a Segurança.

“Contudo, milhões são desviados para a corrupção e muito pouco é feito, problema, este sim, que deve ser combatido veementemente na tribuna da Câmara Federal e não a busca pelo conhecimento, que, afinal, é uma forma de incremento à educação e não um desperdício para o País”, disse Ribeiro, que há anos pesquisa o assunto e tenta trazer conhecimento sempre atualizado para o Estado.

A contribuição do Brasil deveria ser de € 270 milhões em 10 anos, mas o congresso começou a travar esse investimento que garantiria ao Brasil o acesso as maiores descobertas astronômicas jamais realizadas até então.

Desde então a entidade responsável pelo telescópio, o Observatório Europeu do Sul (OES – em inglê: European Southern Observatory – ESO), já realizou importantes descobertas astronômicas e produziu diversos catálogos do segmento financiado por: Alemanha, Áustria, Bélgica, Brasil, Dinamarca, Espanha, Finlândia, França, Holanda, Itália, Portugal, Reino Unido, República Checa, Suécia e Suíça.

Por que no Chile?

O Chile foi o local escolhido por apresentar as melhores condições para observação astronômica a partir da Terra, pois o mesmo é cercado pelas cordilheiras dos Andes e altas montanhas secundárias, nas adjacências do deserto com raras gotas de chuva e mais de 300 noites de céu limpo.

O Atacama é considerado um dos melhores lugares do planeta para observação do céu devido às condições favoráveis como os mais de 2,4 mil metros de altitude, baixa umidade local e pouca luminosidade artificial.

Outro Lado

A reportagem tentou falar com o deputado Fábio Garcia para detalhar sua postura diante do veto, mas não obteve êxito.

Com assessoria

Redação

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