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Estimativa do TCE aponta necessidade de até R$ 3,2 bilhões para resolver saneamento de VG

O presidente do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT), conselheiro Sérgio Ricardo, afirmou que Várzea Grande precisará de investimentos entre R$ 2 bilhões e R$ 3 bilhões para enfrentar o déficit histórico no abastecimento de água e no esgotamento sanitário. Durante audiência pública realizada nesta quarta-feira (12), no Ginásio Fiotão, ele defendeu um “choque de gestão” e articulação política em âmbito nacional para viabilizar os recursos necessários à transformação do sistema.

Segundo levantamento técnico da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (FIPE), os investimentos necessários podem variar de R$ 2,03 bilhões a R$ 3,20 bilhões, com metas de execução até 2060. Atualmente, quase 60% da água produzida no município é perdida e a cobertura de esgoto é inferior a 29%. O estudo aponta ainda que apenas 53,88% dos domicílios são efetivamente atendidos pela rede de abastecimento de água.

Para alcançar a meta de universalização de 90% dos serviços até 2033, Várzea Grande precisará ampliar a rede de coleta de esgoto de 403 quilômetros para 1.584 quilômetros. “É preciso escavar Várzea Grande inteira”, afirmou Sérgio Ricardo, ao destacar a precariedade da infraestrutura existente. Segundo ele, em alguns bairros a água chega às residências, mas a rede de distribuição deteriorada impede o fornecimento adequado.

A falta de água afeta 73,9% dos moradores diariamente ou semanalmente, conforme o levantamento. Durante a audiência, o aposentado Benedito da Costa, morador do bairro Mangabeira, relatou que a população depende de caminhões-pipa para ter acesso ao serviço. “A gente paga pela água, e eles mandam o caminhão-pipa toda terça e toda sexta-feira”, afirmou. A audiência pública corresponde à sétima etapa do cronograma de atualização do Plano Municipal de Saneamento Básico (PMSB).

A próxima etapa será o encaminhamento do plano à Câmara Municipal de Várzea Grande, onde deverá ser analisado antes de virar lei. O processo também é acompanhado por uma mesa técnica do TCE-MT, aberta em dezembro de 2025 para buscar uma solução para o contrato com o Consórcio Lumevix, responsável pela implantação do sistema de esgotamento sanitário da Sub-Bacia 02. Contratadas em 2016, as obras da Estação de Tratamento de Esgoto Santa Maria permanecem paralisadas após anos de disputas judiciais, reprogramações financeiras e entraves ambientais.

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