O deputado estadual Júlio Campos (União Brasil) declarou publicamente que não apoiará a reeleição do governador Otaviano Pivetta (Republicanos), mesmo após a convenção de seu partido oficializar a coligação com a chapa governista. A declaração foi dada nesta quarta-feira (12).
Em vez de seguir a orientação partidária, Campos afirmou que acompanhará a ala dissidente liderada por seu irmão, o senador Jayme Campos (União Brasil), e votará no projeto de oposição encabeçado por Wellington Fagundes (PL).
“Ala dissidente” e fidelidade partidária
A ruptura interna no União Brasil ocorreu após a convenção do partido rejeitar o nome do senador Jayme Campos para compor a chapa majoritária. Sentindo-se traído e afirmando que o projeto de uma “liderança histórica” foi enterrado, Jayme declarou apoio à chapa de Wellington Fagundes e Janaina Riva (MDB), candidata ao Senado.
Júlio Campos, no entanto, esbarra na legislação eleitoral. Por ser deputado, ele está sujeito à lei da fidelidade partidária, o que o impede de realizar campanha aberta para candidatos de coligações adversárias sem sofrer sanções.
“Nós, deputados estaduais e federais, temos a lei da fidelidade partidária. O que ocorre? Eu estou no União Brasil, ele fez uma coligação oficial em convenção com o Republicanos. A minha campanha oficial será dentro do acordo com o Republicanos, mas eu não vou votar no Otaviano Pivetta, vou seguir a ala dissidente”, pontuou Júlio.
Para evitar punições, o parlamentar sequer compareceu à convenção de seu próprio partido e avisou que sua atuação em favor da oposição será velada. “Eu vou até trabalhar discretamente, mas sem participar de grandes movimentos. Eu vou cuidar da minha campanha”, justificou.
Gratidão e histórico político
Ao justificar seu voto na oposição, Júlio Campos destacou a longa relação de amizade e aliança política com a família de Wellington Fagundes, que remonta ao final da década de 1970.
“Eu voto em Wellington Fagundes. Aliás, por que tenho que ser grato. O Wellington votou em mim toda a vida, desde quando ele entrou na política, desde quando ele foi eleitor, ele é meu eleitor. O pai dele, João Baiano, foi meu grande aliado político em Rondonópolis desde a minha campanha de deputado federal em 1978” relembrou o deputado estadual.


