A participação do secretário de Estado de Infraestrutura e Logística, Marcelo de Oliveira, na audiência pública da Assembleia Legislativa para prestar esclarecimentos sobre as obras do BRT entre Cuiabá e Várzea Grande terminou antes do previsto nesta segunda-feira (13). Após rebater críticas do deputado estadual Lúdio Cabral (PT), autor da convocação, o secretário afirmou que deixaria a reunião porque estava nervoso e que poderia “infartar”. “Eu vou pedir licença, porque eu sou muito nervoso e isso vai me infartar. Tem muita coisa que eu quero falar, mas eu não vou falar”, declarou antes de passar a palavra à equipe técnica da Sinfra.
A audiência marcou a quarta tentativa da Assembleia de ouvir o secretário sobre os atrasos, custos e execução do empreendimento. Nas três convocações anteriores, Marcelo Oliveira não compareceu, alegando compromissos administrativos. Antes de deixar a sessão, ele contestou os números apresentados por Lúdio Cabral sobre o andamento das obras e afirmou que os baixos percentuais de execução das estações e terminais refletem apenas o rigor adotado pelo Estado na liberação dos pagamentos às empresas contratadas.
Após a saída do secretário, o secretário-adjunto de Obras da Sinfra, Isac Nascimento, apresentou o cronograma atualizado do projeto e informou que o trecho do BRT entre a Avenida do CPA, em Cuiabá, e o Aeroporto Internacional Marechal Rondon, em Várzea Grande, deverá ser concluído até dezembro de 2026. Segundo ele, o corredor terá 15 quilômetros de extensão e contará com 77 estações reformuladas, além da operação de 25 ônibus elétricos.
Durante a apresentação, a equipe técnica explicou que a implantação do corredor da Avenida Fernando Corrêa da Costa ainda depende da conclusão do processo licitatório, previsto para ser lançado apenas no próximo ano. Conforme a Sinfra, não há recursos empenhados para essa etapa da obra. O projeto prevê aproximadamente sete quilômetros de corredor exclusivo, enquanto a aquisição dos ônibus elétricos segue em tramitação interna.
Isac Nascimento também afirmou que o cronograma inicial precisou ser alterado para evitar impactos maiores no trânsito da capital. Segundo ele, a previsão era abrir simultaneamente sete frentes de trabalho entre o Viaduto da Sefaz e a Ponte Júlio Müller, mas a estratégia foi revista após as primeiras intervenções provocarem congestionamentos e reclamações da população. Desde então, as obras passaram a ser executadas de forma gradual e em conjunto com a Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana (Semob).
A audiência também abordou os contratos do empreendimento, que somam R$ 533 milhões, dos quais R$ 206 milhões já foram pagos. O contrato original, firmado com o Consórcio Construtor BRT, foi rescindido por descumprimento contratual após o desembolso de R$ 130 milhões. O caso também é alvo de uma representação em análise no Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT), que apura possíveis irregularidades em contratações emergenciais realizadas após a rescisão do contrato inicial.



