Os empreendedores que apostam na criação de startups em Mato Grosso têm, cada vez mais, um perfil altamente qualificado. Pesquisa do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Estado de Mato Grosso (Sebrae/MT) revela que metade dos fundadores dessas empresas possui pós-graduação, mestrado ou doutorado. Além disso, 60,1% já tiveram experiência empresarial anterior e, desse grupo, 45,8% atuaram em segmentos semelhantes aos de seus atuais negócios.
Para o gerente de Inovação do Sebrae/MT, Leandro Gonçalves, o cenário demonstra a maturidade do ecossistema estadual. “Estamos com profissionais cada vez mais qualificados transformando conhecimento em negócios inovadores. Mas, mais importante do que a formação dos empreendedores, é entender que nossas startups estão nascendo para resolver problemas reais por meio da construção de soluções conectadas às necessidades da nossa economia e das nossas regiões”, afirma. Segundo ele, conhecer o perfil dessas empresas permite desenvolver programas e investimentos mais alinhados à realidade de Mato Grosso.
Impulsionadas pela força do agronegócio, as startups têm encontrado espaço para desenvolver soluções voltadas ao campo, mas também ampliam sua atuação para áreas como educação e serviços. Quase 70% dessas empresas concentram seus principais clientes dentro do próprio estado. O gestor estadual de startups do Sebrae/MT, Felipe Cruz, destaca que esse movimento aproxima tecnologia e produção rural. “As startups conectam o agro às transformações promovidas pela inteligência artificial, automação, análise de dados, drones e outras tecnologias que aumentam a eficiência, a produtividade e a competitividade dos negócios rurais”, explica.
O levantamento mostra ainda que o ecossistema permanece em estágio inicial de desenvolvimento. Quase metade das startups (47,6%) está na fase de ideação, enquanto 27% encontram-se em validação e 19,1% em tração. Apenas 1,2% alcançaram a fase de escala. Nos modelos de negócio, predominam as operações entre empresas (B2B), que representam 35,2% dos empreendimentos, seguidas pelas vendas diretas ao consumidor (B2C), com 29,1%.
A pesquisa também evidencia a expansão geográfica da inovação no estado. Embora Cuiabá concentre 31,8% das startups, municípios como Cáceres (15,8%), Sinop (9,7%), Barra do Garças (7,5%), Rondonópolis (5,5%), Juína (3,8%) e Tangará da Serra (3,8%) consolidam novos polos tecnológicos. O avanço é reforçado pelo fato de que 62,5% das startups afirmam atuar em mais de um município, demonstrando que a inovação já ultrapassou os limites da região metropolitana.
Apesar do potencial de crescimento, os empreendedores ainda enfrentam desafios importantes. A falta de recursos financeiros próprios é apontada por 72,5% como o principal obstáculo para iniciar o negócio, seguida pela burocracia, pelo Custo Brasil e pelas dificuldades técnicas para transformar ideias em produtos viáveis. Depois de entrar no mercado, as principais barreiras passam a ser a falta de capital de giro, o acesso restrito ao crédito e a conquista de clientes. Atualmente, 47,5% das startups pesquisadas ainda não registram faturamento, evidenciando os desafios para alcançar sustentabilidade e crescimento.

