Os condomínios de Mato Grosso intensificaram o uso dos cartórios para cobrar moradores inadimplentes e registraram um crescimento recorde no envio de dívidas para protesto. Em 2025, foram encaminhados 6.909 débitos condominiais aos Cartórios de Protesto, contra apenas 453 no ano anterior, um aumento de 1.425%, o maior da série histórica iniciada em 2020. Em valores, as dívidas protestadas saltaram de R$ 3,8 milhões para R$ 22,9 milhões.
Além do avanço no número de cobranças, os dados mostram resultados expressivos na recuperação dos valores. Segundo levantamento da Associação dos Notários e Registradores do Estado de Mato Grosso (Anoreg-MT), 26,9% das dívidas apresentadas tiveram algum tipo de solução, seja por pagamento, acordo ou cancelamento. Ao longo de 2025, 1.790 débitos foram regularizados, permitindo a recuperação de R$ 3,2 milhões.
Para a presidente da Anoreg-MT, Velenice Dias de Almeida, o crescimento do uso do protesto demonstra a busca por mecanismos mais eficientes para combater a inadimplência sem prejudicar os demais moradores. Segundo ela, a falta de pagamento das taxas condominiais afeta diretamente a manutenção dos serviços, obras e investimentos dos empreendimentos, tornando necessária a adoção de medidas que incentivem a regularização rápida das pendências.
Os números também revelam que parte significativa dos devedores quita os débitos logo após ser notificada. Do total de dívidas solucionadas, 7,49% foram pagas nos três primeiros dias após a comunicação da pendência, enquanto 17,65% foram quitadas depois da efetivação do protesto. Ainda assim, 47,7% dos débitos permanecem em aberto, mantendo os devedores com restrições de crédito e registro em bancos de dados de proteção ao crédito.
A tendência de crescimento segue em 2026. Apenas no primeiro trimestre deste ano, já foram levados a protesto 1.542 títulos de dívida condominial, somando R$ 3,5 milhões. O volume supera o registrado em vários anos da série histórica e reforça a consolidação do protesto em cartório como uma das principais ferramentas utilizadas por síndicos e administradoras para reduzir a inadimplência e preservar o equilíbrio financeiro dos condomínios.



