Dados da Câmara Brasileira da Indústria da Construção apontam que o programa Minha Casa, Minha Vida respondeu por 48% das unidades residenciais lançadas em Mato Grosso e na região Centro-Oeste durante o primeiro trimestre de 2026. O percentual se aproxima dos empreendimentos de outros padrões, que representaram 52% da oferta imobiliária regional. As informações fazem parte do levantamento Indicadores Imobiliários Nacionais, divulgado nesta segunda-feira (25).
No cenário nacional, o programa habitacional foi responsável por 49% das vendas de imóveis no período, totalizando 54.510 unidades comercializadas. Entre as regiões brasileiras, o Norte registrou a maior participação do Minha Casa, Minha Vida na oferta total de imóveis, com 52%, enquanto o Sul apresentou o menor índice, com 17%. O estudo foi realizado pela Brain Inteligência Estratégica em 221 cidades brasileiras, incluindo todas as capitais e regiões metropolitanas.
Apesar da retração nacional de 4,9% no número de lançamentos em comparação com o primeiro trimestre de 2025, o Centro-Oeste apresentou o melhor desempenho do país, com crescimento de 38,3% nos lançamentos imobiliários. Entre janeiro e março deste ano, foram lançadas 97.802 unidades residenciais em todo o Brasil. Segundo representantes do setor, a redução em relação ao trimestre anterior já era esperada devido à sazonalidade do mercado, que costuma concentrar mais lançamentos no fim do ano.
O levantamento também mostrou que as vendas de imóveis cresceram na maior parte do país, com exceção da região Sul, que registrou leve recuo de 0,05%. Nos últimos 12 meses, foram comercializadas 438.012 unidades residenciais, sendo mais da metade delas no Sudeste. O Valor Geral de Vendas (VGV) alcançou R$ 65,9 bilhões, alta de 0,5% em relação ao ano passado, enquanto a oferta final de imóveis disponíveis aumentou 8,2%, chegando a 350.891 unidades.
Representantes da construção civil destacaram ainda preocupações com fatores econômicos e regulatórios que podem impactar o setor nos próximos meses. Entre os principais pontos de atenção estão os efeitos da crise do petróleo sobre os preços dos materiais de construção, a discussão sobre o fim da escala 6×1 e a regulamentação da Reforma Tributária. De acordo com dirigentes da CBIC e do SECOVI-SP, a definição dessas questões será fundamental para garantir estabilidade e previsibilidade ao mercado imobiliário brasileiro.



