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Júri de investigador que matou PM no Choppão é marcado por tensão e denúncias de perseguição

Teve início às 9h desta terça-feira (12.05.2026), no Fórum de Cuiabá, o julgamento do investigador da Polícia Civil Mário Wilson Vieira da Silva Gonçalves. Ele senta no banco dos réus pelo assassinato do policial militar Thiago de Souza Ruiz, ocorrido em abril de 2023, em uma conveniência na Praça do Choppão. A sessão, presidida pelo juiz Marcos Faleiros da Silva, é acompanhada de perto por membros das duas corporações.

Embate no Plenário: “Cada um no seu quadrado”

O início dos trabalhos foi marcado por um forte desentendimento entre o promotor de Justiça Vinícius Gahyva Martins e a equipe de defesa do réu. O conflito começou durante o interrogatório da primeira testemunha, quando a defesa questionou aspectos da vida pessoal da ex-companheira da vítima.

Ao ser interpelada pelo promotor, a defesa reagiu com agressividade verbal:

  • Argumento da Defesa: Os advogados acusaram o promotor de tentar interferir na estratégia defensiva. “O senhor quer ensinar a fazer defesa, o senhor não sabe fazer defesa. O senhor é promotor de Justiça. Cada um no seu quadrado”, disparou um dos defensores.
  • Réplica do MP: Gahyva ironizou a afirmação, dizendo que jamais se propôs a atuar da forma como a defesa vem conduzindo o caso. Em resposta, os advogados afirmaram “abominar” a postura do promotor, classificando-a como “perigosa”.

Depoimento da Viúva: Drama familiar e medo

A investigadora Walkiria Filipaldi Corrêa, ex-convivente de Thiago, foi a primeira a depor. Em um relato emocionante, ela detalhou a desestruturação da família após o crime:

  • Impacto nos filhos: Revelou que a filha do casal, de 11 anos na época, entrou em depressão, passou a se cortar e enviava mensagens para o celular do pai após o falecimento.
  • Perseguição na PJC: Walkiria denunciou estar sofrendo perseguição dentro da Polícia Civil. Segundo ela, passou por três delegacias em um mês e ouviu de delegados que “não era aceita” em certas unidades devido à influência do réu.
  • Insegurança: A testemunha destacou que Mário Wilson trabalha em uma delegacia a apenas 100 metros de sua casa. Segundo ela, a Corregedoria apenas recomendou que o réu não saísse à rua para almoçar, visando evitar encontros.

Relembre o Caso

O crime ocorreu durante a madrugada, após uma interação entre os dois agentes de segurança em uma conveniência. O estopim teria sido o momento em que o PM Thiago Ruiz mostrou sua arma na cintura.

O investigador Mário Wilson alegou que não acreditou que a vítima fosse realmente um policial. Imagens de segurança registraram o momento em que o investigador tomou a arma do PM e efetuou os disparos fatais. Mário Wilson responde por homicídio qualificado por motivo fútil e recurso que dificultou a defesa da vítima.

Lucas Bellinello

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