Estudo realizado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) com base em dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revela que mais de 41 milhões de lares brasileiros são chefiados por mulheres, evidenciando o avanço da autonomia feminina, mas também o acúmulo de responsabilidades financeiras e domésticas. Em grande parte das famílias, são elas que organizam o orçamento, priorizam despesas essenciais e garantem o equilíbrio das contas no fim do mês, cenário que ganha destaque às vésperas do Dia das Mães, que será comemorado neste domingo (11).
Levantamento de 2026 do Raio X do Investidor Brasileiro, realizado pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) em parceria com o Datafolha, aponta que as mulheres concentram o maior nível de estresse financeiro no país, representando 53% das pessoas nessa condição. Além disso, elas são maioria entre os brasileiros que gastam mais do que ganham, realidade que reduz a capacidade de formar reserva financeira e dificulta o acesso aos investimentos.
O impacto desse cenário aparece diretamente na segurança financeira de longo prazo. Segundo o estudo, a maior parte da população brasileira ainda não investe e mais da metade não possui hábito de guardar dinheiro. Entre as mulheres, o desafio é ainda mais sensível porque muitas acabam priorizando os gastos ligados ao bem-estar dos filhos e da família, deixando em segundo plano o planejamento individual e a aposentadoria.
Os dados mostram que apenas 16% dos brasileiros começaram a investir pensando na aposentadoria e, entre as mulheres, esse movimento costuma ocorrer de forma ainda mais tardia. Atualmente, entre os aposentados brasileiros, 93% dependem exclusivamente do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), situação que pode representar perda de renda e maior vulnerabilidade financeira ao longo dos anos.
Especialistas apontam que a desigualdade de renda e a sobrecarga doméstica ajudam a explicar esse cenário. Dados do IBGE indicam que as mulheres dedicam quase o dobro do tempo semanal aos cuidados da casa e da família em comparação aos homens. Além disso, elas ainda recebem salários menores, em média, o que reduz a possibilidade de acumular patrimônio e investir no futuro.
Outro fator considerado determinante é o acesso limitado à educação financeira. Segundo a Anbima, apenas 21% da população brasileira participou de algum curso ou atividade sobre o tema. Apesar disso, o número de mulheres investidoras vem crescendo de forma gradual no país. Dados recentes da B3 mostram que, somente em 2025, mais de 54 mil mulheres passaram a investir em produtos de renda variável. Em Mato Grosso, o movimento também avança: atualmente, o estado registra 17.646 mulheres investidoras na bolsa, número 3,87% superior ao registrado no ano anterior.
Para a líder da XP em Mato Grosso, Gilvania Rufino, o fortalecimento da autonomia financeira feminina passa pela criação de hábitos simples e consistentes. “Não é necessário começar com grandes valores. O mais importante é criar consistência e transformar o cuidado com o dinheiro em hábito”, afirma. Entre as orientações apontadas pela especialista estão a criação de uma reserva de emergência, a separação entre finanças pessoais e familiares, o início em investimentos de renda fixa e a busca por informações financeiras confiáveis para garantir maior segurança no futuro.

