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Eloy Terena classifica como “crítico” o surto de chikungunya

O cenário epidemiológico em Dourados (MS) atingiu um ponto de inflexão neste início de abril de 2026. Em visita oficial realizada nesta sexta-feira (3), o ministro dos Povos Indígenas, Eloy Terena, classificou a situação como crítica e cobrou uma postura ativa dos entes federativos. A Reserva Indígena de Dourados tornou-se o epicentro da dor no estado: das sete mortes registradas em Mato Grosso do Sul, cinco ocorreram dentro da reserva, incluindo dois bebês com menos de quatro meses.

Os Números do Surto

O estado de Mato Grosso do Sul contabiliza 1.764 casos confirmados desde janeiro, com Dourados liderando o ranking absoluto (759 registros). A doença atinge de forma severa as gestantes — 37 já foram infectadas — e gera uma pressão insustentável sobre os Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEIs).

Injeção de Recursos e Braços no Campo

Para tentar conter o ciclo de transmissão do mosquito Aedes aegypti, o governo federal anunciou um aporte de R$ 3,1 milhões. O investimento está distribuído estrategicamente:

  • R$ 1,3 milhão: Assistência humanitária direta.
  • R$ 974,1 mil: Limpeza urbana e destinação de resíduos sólidos.
  • R$ 855,3 mil: Vigilância, assistência e controle vetorial.

Além do aporte financeiro, o reforço humano é imediato. A partir deste sábado (4), 20 dos 50 novos agentes de endemias contratados começam a atuar ao lado de 40 militares e da Força Nacional do SUS nas aldeias Bororó e Jaguapiru.

O Desafio do Lixo Urbano

Eloy Terena foi enfático ao abordar a causa raiz: a Reserva Indígena de Dourados possui uma condição “sui generis”, pois foi englobada pelo crescimento urbano. Hoje, as aldeias são “ilhas” cercadas por asfalto, mas que sofrem com a negligência na coleta de lixo.

“É preciso atender de igual forma não só o contexto urbano, como as comunidades indígenas”, afirmou o ministro, sinalizando que a prefeitura deve integrar o saneamento das aldeias ao cronograma regular da cidade para eliminar os criadouros do mosquito.

A situação permanece dinâmica e o monitoramento é feito em tempo real para identificar se as medidas de controle vetorial conseguirão, finalmente, achatar a curva de transmissão em uma das regiões mais vulneráveis do Centro-Oeste.

Lucas Bellinello

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