A noite de terça-feira (31 de março de 2026) e a manhã de quarta-feira (1º de abril) foram marcadas por um roteiro de violência extrema no bairro Jardim Brasil, em Cuiabá. Uma tentativa de feminicídio deixou uma mulher gravemente mutilada e resultou na prisão de um homem de 37 anos, que antes de ser detido pela polícia, foi alvo de um “salve” — punição física aplicada por grupos criminosos locais.
O Ataque e a Luta pela Vida
O crime ocorreu dentro da residência da vítima. Segundo relatos, o ex-namorado invadiu o imóvel motivado por um ciúme patológico, questionando-a sobre um novo relacionamento. Durante a discussão, o agressor empurrou um dos filhos da mulher que tentava protegê-la e sacou uma faca.
Em um gesto instintivo de defesa, a vítima colocou a mão direita à frente do corpo para evitar um golpe fatal no peito ou abdômen. O impacto da lâmina foi tão violento que resultou na amputação imediata de quatro dedos. Após o ferimento, a mulher caiu, bateu a cabeça e perdeu a consciência.
O “Tribunal do Crime” e a Prisão
Após fugir do local, o suspeito foi localizado pela Polícia Militar em uma casa abandonada. No entanto, o “tribunal do crime” chegou antes do Estado. O homem foi encontrado ensanguentado e com diversas marcas de tortura:
- Escoriações profundas nas costas, braços e pernas;
- Marcas de agressão por barras de ferro, fios e madeira.
Socorrido pelo Samu, o agressor confessou o crime ainda durante o trajeto ao hospital, justificando sua ação pela recusa em aceitar que a ex-companheira seguisse a vida com outra pessoa.
Recuperação e Justiça
A vítima passou por uma cirurgia de reconstrução de urgência no Hospital Municipal de Cuiabá (HMC). O caminho para a recuperação será longo e dependerá de sessões intensivas de fisioterapia para tentar restaurar a funcionalidade da mão direita.
O suspeito permanece sob custódia policial no hospital e responderá pelo crime de tentativa de feminicídio, cuja pena é agravada pela motivação fútil e pelo meio cruel utilizado. A Polícia Civil agora assume o inquérito para detalhar a dinâmica da invasão e assegurar a proteção da vítima e de seus familiares após a alta médica.

