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Laudo aponta psicose grave em acusada de matar grávida

A defesa de Nataly Helena Martins Pereira, acusada de matar a adolescente Emelly Azevedo Sena para remover o bebê de seu ventre, apresentou nesta quinta-feira (26) um robusto parecer técnico multidisciplinar que pode alterar drasticamente o rumo do processo. O documento, assinado por psiquiatras e psicólogos forenses, traça um perfil de psicose grave e perda total de contato com a realidade no período em que o crime foi cometido, em março de 2025.

O Gatilho: O Trauma da Maternidade Perdida

De acordo com o laudo, o declínio mental de Nataly teria se acentuado em fevereiro de 2025, após um suposto aborto espontâneo aos sete meses de gestação. O evento, descrito como traumático, gerou um quadro de culpa profunda e ideação suicida. A acusada relatou aos peritos que ouvia vozes que afirmavam que ela precisava “morrer para encontrar a filha”.

Mesmo após a perda, Nataly teria continuado a apresentar produção láctea, um fenômeno biológico que, aliado ao sofrimento emocional, alimentou delírios e desorganização do pensamento.

Sintomas Psicóticos e Perda de Realidade

A equipe de especialistas — composta pelo psiquiatra Hewdy Lobo Ribeiro e pelas psicólogas Elise Karam Trindade e Gabriela Cristina Favero — identificou elementos clássicos de um surto psicótico:

  • Alucinações Auditivas: A ré afirmava ouvir vozes de comando.
  • Delírios Messiânicos: Ideias de cunho religioso e desorganização mental.
  • Automutilação: Relatos de agressões contra o próprio corpo durante o cárcere.
  • Diagnóstico: Compatível com Psicose Não Orgânica Não Especificada (CID-10).

O Histórico e a Estratégia da Defesa

O relatório também traz à tona um histórico de traumas severos, incluindo abuso sexual na adolescência cometido por um familiar e relacionamentos conturbados. Para os especialistas, há uma “incoerência gritante” entre o perfil de vida pregressa de Nataly e a barbárie do crime, o que reforçaria a hipótese de que ela não gozava de plena saúde mental no momento do ataque à adolescente Emelly.

Os advogados André Luís Melo Fort e Ícaro Vione de Paulo utilizam o documento para fundamentar o pedido de Incidente de Insanidade Mental. Se a Justiça acatar e uma perícia oficial confirmar a incapacidade de entendimento da ré, ela poderá ser declarada inimputável, o que substituiria uma eventual pena de prisão por medida de segurança (internação em hospital de custódia).

Relembre o Caso

Em 12 de março de 2025, Emelly Sena, de 16 anos, desapareceu após sair para buscar doações de roupas. Na mesma noite, Nataly deu entrada em um hospital em Cuiabá com um recém-nascido, alegando ter feito o parto em casa. A farsa foi descoberta por médicos, que constataram que Nataly não havia passado por um parto. O corpo de Emelly foi encontrado enterrado no quintal da acusada, com sinais de uma cesariana rudimentar realizada enquanto a vítima ainda estava viva.

O laudo divulgado hoje não anula a gravidade do fato, mas coloca o Judiciário diante do desafio de discernir entre a crueldade deliberada e o colapso psíquico absoluto.

Com Assessoria

Lucas Bellinello

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