A Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema-MT), em uma operação coordenada entre os dias 18 e 20 de março de 2026, desferiu um golpe contra o armazenamento ilegal de madeira nobre em Nova Monte Verde. Após uma denúncia anônima, as equipes da Unidade Desconcentrada de Alta Floresta, com apoio da Polícia Judiciária Civil, localizaram um estoque expressivo de itaúba sem qualquer documentação que comprovasse sua origem legal.
O Inventário do Confisco
A fiscalização encontrou o material distribuído estrategicamente na propriedade, evidenciando uma estrutura de armazenamento que desrespeitava as normas do Sistema de Comercialização e Transporte de Produtos Florestais (Sisflora).
| Tipo de Armazenamento | Quantidade | Espécie |
| Depósito Interno | 1.045 unidades | Itaúba-preta |
| Área Externa (Montes) | 547 unidades | Itaúba |
| Total Apreendido | 1.592 lascas | — |
A Justificativa e a Sanção
O proprietário da área rural tentou justificar a posse do material afirmando que a compra foi destinada à manutenção das cercas da própria fazenda. No entanto, para o Direito Ambiental, a finalidade do uso não sobrepõe a necessidade da Guia Florestal (GF) e da Nota Fiscal. Sem esses documentos, a posse é considerada crime ambiental e infração administrativa.
O resultado da negligência documental foi uma multa imediata de R$ 12 mil. Além do prejuízo financeiro, o produtor perdeu todo o investimento feito na compra irregular, já que a madeira foi sumariamente apreendida.
“É necessário sempre obter as licenças ambientais ou autorização para a extração, bem como exigir nota fiscal acompanhada de guia florestal no ato da compra”, alertou Leandro Rodinei Brauwers, coordenador da Sema em Alta Floresta.
Destinação Social
Diferente de outros materiais que podem ser leiloados, a madeira de itaúba apreendida foi destinada a um fim social imediato. Através de um termo de doação, a Prefeitura de Alta Floresta recebeu as 1.592 lascas, que serão utilizadas em obras de infraestrutura pública, revertendo o dano ambiental em benefício coletivo.
A operação reforça o recado das autoridades ambientais para 2026: em Mato Grosso, o “jeitinho” na compra de madeira para uso interno está sob vigilância cerrada, e o custo da multa, somado à perda do material, torna a ilegalidade um péssimo negócio.

