O presidente Luiz Inácio Lula da Silva utilizou o palco da 10ª Cúpula da Celac e do inédito I Fórum Celac-África, em Bogotá, para proferir um de seus discursos mais contundentes sobre soberania e governança global em 2026. Em meio a líderes como Gustavo Petro e Yamandú Orsi, Lula traçou um paralelo direto entre o colonialismo histórico e as pressões econômicas contemporâneas, colocando os minerais críticos no centro da disputa de poder mundial.
A Batalha pelos Minerais do Futuro
O ponto alto da fala de Lula foi a defesa da Bolívia e de seu patrimônio de lítio. Para o presidente, o interesse dos Estados Unidos na região não é apenas comercial, mas uma tentativa de retomar políticas de dominação.
- O Alerta: Lula lembrou que a região já teve seu ouro e diamantes saqueados no passado.
- A Proposta: O Brasil defende que o lítio e outros minérios essenciais para a transição energética não sejam apenas exportados in natura, mas processados localmente para gerar desenvolvimento tecnológico na América Latina e na África.
A Crise das Instituições de Paz
Lula elevou o tom contra a ONU, afirmando que o Conselho de Segurança perdeu sua função original. Ao citar os conflitos recentes em Gaza, Ucrânia e os ataques ao Irã, o presidente argumentou que os próprios países responsáveis por manter a paz são os que fomentam as guerras.
- O Dado Alarmante: O gasto global de US$ 2,7 trilhões em armamentos foi confrontado com os 630 milhões de pessoas que ainda sofrem com a fome no mundo.
- A Exigência: Representação adequada para a América Latina e a África no Conselho de Segurança e a manutenção do Atlântico Sul como uma zona livre de disputas geopolíticas de grandes potências.
Bloco Celac-África: O Peso de 2,2 Bilhões
A estratégia brasileira visa unir os 33 países da Celac aos 55 da União Africana. Juntos, esses blocos representam um mercado e uma força política de mais de 2 bilhões de pessoas. Segundo Lula, essa união é a única forma de evitar que a “democracia conquistada com luta” seja substituída por uma nova forma de colonização baseada na força e no poder financeiro.
O discurso em Bogotá encerrou com uma convocação à “guerra certa”: aquela contra a fome, o analfabetismo e a falta de energia elétrica. Para Lula, o desenvolvimento da inteligência artificial e da transição energética deve servir para emancipar o Sul Global, e não para aprofundar a desigualdade estabelecida enquanto o apartheid e o colonialismo ainda prevaleciam.


