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Broncopneumonia bacteriana bilateral é grave? Entenda quadro que causou internação de Bolsonaro

O ex-presidente Jair Messias Bolsonaro (PL) foi diagnosticado na manhã desta sexta-feira, 13, com broncopneumonia bacteriana bilateral, após ser internado com registros de febre alta, queda na saturação de oxigênio, sudorese e calafrios.

Segundo boletim médico divulgado pelo Hospital DF Star, onde é atendido, Bolsonaro permanece na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), em tratamento com antibioticoterapia venosa e suporte clínico não invasivo.

O que é a broncopneumonia bacteriana bilateral

Segundo Fernanda Bacceli, pneumologista do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, o quadro é um tipo de pneumonia de origem bacteriana que afeta múltiplos pontos do pulmão, como vias aéreas menores (bronquíolos e alvéolos são exemplos).

O médico Paulo Abrão, presidente da Sociedade Paulista de Infectologia (SPI), detalha que, quando o quadro é bilateral, como no caso de Bolsonaro, significa que ambos os pulmões estão comprometidos.

“(Isso) pode dificultar as trocas gasosas e aumentar o risco de complicações. Por isso, é considerada uma condição potencialmente grave, especialmente em idosos, pessoas com doenças crônicas ou com imunidade reduzida”, explica.

Grupo de risco

Como citado, os idosos merecem atenção redobrada. Segundo Abrão, isso acontece porque o sistema imunológico é menos eficiente e é comum a presença de outras doenças associadas.

Também fazem parte do grupo de risco crianças pequenas e pessoas com doenças crônicas, como diabetes e problemas cardíacos ou pulmonares. Pacientes com câncer, pessoas que usam medicamentos imunossupressores e quem teve internações recentes também têm maior chance de desenvolver a doença.

Qual a causa?

Nesse caso, a pneumonia está ligada a infecções bacterianas. Segundo Abrão, os micro-organismos envolvidos geralmente são Streptococcus pneumoniae (principal causa de pneumonia), Haemophilus influenzae e Staphylococcus aureus.

Também podem estar envolvidas bactérias gram-negativas (mais resistentes a alguns antibióticos), como Klebsiella pneumoniae e Pseudomonas aeruginosa. “Em idosos e pacientes internados, a infecção pode estar associada a agentes mais resistentes, o que exige maior atenção no tratamento”, detalha Abrão.

A prevenção ocorre, principalmente, por meio da vacinação. “O ideal, principalmente quando a gente pensa em pacientes com mais idade, é focar na imunização”, ressalta Fernanda.

Sintomas

Os sintomas incluem febre, tosse com secreção, falta de ar, dor no peito ao respirar, cansaço intenso e mal-estar geral.

Em idosos, pode ocorrer apenas confusão mental, sonolência, queda do estado geral ou piora de doenças já existentes, o que, segundo o presidente da SPI, muitas vezes atrasa o diagnóstico se não houver avaliação médica precoce.

Tratamento

Abrão explica que o tratamento é feito com antibióticos. A escolha do medicamento depende de fatores como a gravidade do quadro, a idade do paciente, a presença de doenças associadas e o local onde a infecção foi adquirida.

“Nos casos leves, o tratamento pode ser feito em casa, com antibióticos por via oral. Mas quadros bilaterais, com falta de ar ou em pacientes de maior risco, frequentemente exigem internação para uso de antibióticos intravenosos, oxigênio e monitorização”, pontua.

“Além do antibiótico, o tratamento inclui hidratação, controle da febre, suporte respiratório quando necessário e acompanhamento clínico próximo, pois a evolução pode ser rápida em pacientes mais vulneráveis”, adiciona.

Estadão Conteudo

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