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Operação Mamom sequestra R$ 2,3 milhões de mãe e filho em Cuiabá

A Polícia Civil de Mato Grosso, através da Delegacia Especializada em Repressão a Narcóticos (Denarc), deflagrou nesta quarta-feira (11) uma ofensiva crucial contra a estrutura financeira do tráfico de drogas em Cuiabá. A segunda fase da Operação Mamom resultou no sequestro de R$ 2,3 milhões em bens, consolidando uma estratégia que já retirou das mãos do crime organizado um total de R$ 13 milhões desde o início das investigações em 2025.

O Inventário do Sequestro

As ordens judiciais, expedidas pelo Núcleo de Justiça 4.0, focaram na imobilização de ativos que serviam para a ocultação de valores. O levantamento patrimonial desta fase inclui:

  • Setor Imobiliário: Duas casas (R$ 900 mil), um terreno (R$ 200 mil) e dois apartamentos (R$ 500 mil).
  • Mobilidade e Logística: Quatro veículos e um semirreboque, totalizando R$ 700 mil.
  • Medidas Cautelares: Além das buscas, três investigados passaram a ser monitorados por tornozeleira eletrônica.

Lavagem de Dinheiro e Vínculos Interestaduais

O diferencial desta investigação reside no rastreamento do fluxo financeiro. A Denarc identificou que o grupo criminoso, liderado por uma mãe e seu filho (ambos reincidentes), possuía uma rede de contatos que se estendia até a região Nordeste. O uso de contas bancárias para movimentações fracionadas e a aquisição de bens de alto padrão são sinais clássicos do ciclo de lavagem de capitais.

Da Pasta Base ao Patrimônio: O Histórico

A Operação Mamom — nome que remete à personificação bíblica da ganância — teve sua gênese em junho de 2025. Naquela ocasião, a polícia focou na materialidade do tráfico, apreendendo tabletes de pasta base de cocaína escondidos em fundos falsos de veículos de luxo, como Mercedes e Hilux.

A transição para a fase atual demonstra o amadurecimento da investigação: após identificar quem transporta a droga, a polícia agora foca em quem gerencia o lucro. Segundo o delegado André Rigonato, a descapitalização é o método mais eficaz para desestruturar associações criminosas, pois retira a capacidade de reinvestimento no tráfico e no armamento.

A ação de hoje reforça que o combate ao narcotráfico em Mato Grosso em 2026 está intrinsecamente ligado à inteligência financeira, tratando o crime não apenas como um problema de segurança pública, mas como um fluxo econômico ilícito que precisa ser interrompido na origem.

Lucas Bellinello

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