A operação da Polícia Federal deflagrada no último dia 18 de junho, que teve como alvo o senador Jaques Wagner (PT-BA), acabou provocando um efeito colateral nos bastidores de Brasília: o fortalecimento da relação e a reapreciação política entre o petista e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). O episódio colocou fim a um longo período de distanciamento entre as duas lideranças.
O gelo entre os dois foi quebrado logo no dia seguinte à ação policial. Jaques Wagner ligou para Alcolumbre para agradecer o respaldo público que havia recebido. No telefonema, o baiano desabafou, pontuando que pouquíssimas lideranças do Congresso haviam saído em sua defesa diante do desgaste com a PF.
Alinhamento antes de Lula
O diálogo inicial ocorreu no calor das discussões sobre a permanência de Wagner na liderança do governo no Senado. Demonstrando a força do canal reconstruído, antes mesmo de se sentar com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para selar seu destino, Jaques Wagner comunicou a Alcolumbre sua intenção de entregar o cargo de líder para blindar o Palácio do Planalto de maiores constrangimentos.
O racha anterior entre os dois parlamentares havia se intensificado após a rejeição do nome de Jorge Messias (da AGU) para a vaga aberta no Supremo Tribunal Federal (STF), indicação que naufragou no Senado. Desde o episódio, as conversas entre Alcolumbre e Wagner haviam se tornado raras e puramente protocolares.
Senado entra na briga jurídica
Nesta terça-feira (30), Davi Alcolumbre deu mais uma demonstração de que o palanque de apoio a Jaques Wagner está consolidado. Durante pronunciamento, o presidente do Senado subiu o tom contra o Judiciário, criticando o que classificou como “criminalização da política”.
Como gesto prático de proteção institucional e política, Alcolumbre anunciou uma ofensiva jurídica:
- A Advocacia-Geral do Senado vai acionar formalmente o STF;
- O objetivo é fazer com que a Casa ingresse como parte interessada no processo de Jaques Wagner;
- A ação visa dar musculatura ao recurso do petista que tenta anular em definitivo a decisão judicial que autorizou as buscas e apreensões em seus endereços.
O movimento consolida a blindagem mútua e reposiciona Jaques Wagner e Davi Alcolumbre na mesma página estratégica dentro do parlamento.


