Opinião Renato Paiva

Trump, Khamenei e a IA.

Cumprindo repetidas ameaças que vinha fazendo há algumas semanas, o briguento Trump determinou o bombardeio do Irã. Estimulados pelo sucesso sem nenhuma perda de soldados americanos no episódio do sequestro do ditador Maduro, os EUA explodiram o Aiatolá Khamenei e diversos líderes da República Islâmica.

Não farão falta, eu creio, mas o problema é complicado. Alguns acham que o presidente americano foi corajoso na investida e que teria salvado o mundo das armas nucleares que o Irã estaria produzindo, ou tentando produzir. 

Outros acreditam que houve sim uma irresponsabilidade capaz de desencadear um confronto com potencial de envolver dezenas de países e causar estragos no mundo todo. 

Por enquanto, não dá para saber se o Trump foi o salvador da paz ou, de repente, um insensato que levará o mundo para um conflito incontrolável. 

Reproduzo aqui uma lenda antiga que citei no meu livro “Virando Patrão” (Editora Juruá – Curitiba-PR).

“Um moço ganhou dos tropeiros que passavam por sua aldeia um potrinho recém-nascido que não aguentava acompanhar a tropa na marcha forçada.

— Que sorte — comentou o dono da farmácia com o pai do jovem

— Pode ser sorte, pode ser azar — respondeu o pai.

O cavalinho cresceu e um dia jogou no chão o dono que tentava domá-lo.

— Que azar — disse o farmacêutico.

— Pode ser azar, pode ser sorte — retrucou o pai.

Na semana seguinte, passa pela cidade o exército, convocando os jovens para uma guerra.

Como estava com o braço quebrado, o moço do potrinho foi dispensado.

— Que sorte — insiste mais uma vez o comerciante.

— Pode ser sorte, pode ser azar…”

Como na história do moço do cavalinho, o lance seguinte é que define o anterior: se o ato “trumpista” desarmar o Irã, foi sorte; se empoderar o regime dos aiatolás, azar. 

No caso da Venezuela, como o país aparentemente começou a se organizar, a tendência é louvar a ação do Trump, mesmo que alguns indivíduos mais à esquerda continuem a condená-la. Mas o Irã é muito diferente, o país é militarmente forte e muito mais convicto de suas tradições históricas e religiosas. 

Ali a possibilidade de desencadear uma catástrofe mundial é muito grande. Não convém esquecer que há países simpatizantes de Israel, aliado incondicional dos Estados Unidos na região e outros que são amigos do Irã.

 Torcemos para que o ato do Trump (arrojado para uns e inconsequente para outros) tenha tido “sorte” (para ele e para nós) na empreitada, impedindo a construção da temida bomba.

Entretanto, se a IA que guiou os mísseis que mataram o Khamenei tivesse se rebelado contra o comando humano (algumas teorias da conspiração garantem que isso é possível) e tomado o rumo de Mar-a-Lago, onde mora o Trump, possivelmente o mundo estaria um pouco mais seguro. 

Agora, se metade dos artefatos, por decisão da inteligência artificial, atingisse o fanático Aiatolá e a outra, acertasse o topete loiro do vaidoso presidente americano, o mundo — livre de um e de outro — estaria com a segurança quase garantida.

Renato de Paiva Pereira. 

Renato Paiva

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