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Abilio tenta travar reajuste automático da água em Cuiabá

A resistência de Abilio esbarra em um modelo de concessão desenhado para ser autossuficiente. Pelo contrato vigente — firmado em gestões passadas e amparado pela legislação federal de saneamento —, o reajuste anual não é uma concessão política, mas uma recomposição técnica obrigatória.

​O cálculo utiliza uma “fórmula paramétrica” que visa manter o equilíbrio econômico-financeiro da operação. Na prática, isso significa que:

  • ​A agência reguladora (Cuiabá Regula) valida os cálculos.
  • ​Uma vez validados, o reajuste torna-se automático.
  • ​A assinatura do prefeito é, juridicamente, um ato simbólico, já que o Executivo não possui poder de veto sobre índices que sigam estritamente o contrato.

A Estratégia da Gestão

Ciente das limitações de veto, a estratégia de Abilio Brunini foca no questionamento da metodologia. Ao enviar o caso para os setores técnicos, a prefeitura busca identificar possíveis erros na memória de cálculo ou descumprimentos de metas de qualidade que possam servir de lastro para uma suspensão administrativa do aumento.

​”Nossa prioridade é evitar o impacto no orçamento das famílias cuiabanas”, afirmou o prefeito, justificando a tentativa de barrar o índice mesmo diante do cenário de inflação do setor.

Próximos Passos

A concessionária já sinalizou à agência reguladora que a nova tarifa deve ser oficializada na próxima semana. Caberá agora à Procuradoria Geral do Município e aos técnicos da área de regulação encontrar uma fundamentação sólida o suficiente para enfrentar as cláusulas de 2011, sob o risco de gerar uma disputa judicial que pode custar caro aos cofres públicos em caso de derrota.

Lucas Bellinello

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