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Gravidez na adolescência oferece riscos para saúde de mãe e do bebê

Período de transição entre a infância e a fase adulta, a adolescência pode ser definida como a etapa mais intensa e transformadora na vida de uma pessoa. Neste ciclo, que vai dos 12 aos 18 anos, o ser humano passa por diversas mudanças físicas, comportamentais e emocionais. Metamorfoses essas que estão diretamente ligadas ao início da vida sexual. E é justamente este processo que acaba gerando um grande problema: a gravidez precoce.

Para combater os casos de gestação na adolescência, o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos lançou, na última segunda-feira (3), a campanha “Tudo Tem seu Tempo”, que tem o objetivo de conscientizar os jovens sobre o tema e promover a abstinência sexual de moças e rapazes dessa faixa etária.

“Estamos construindo um plano nacional de prevenção do sexo precoce. Essa ação é só o começo. Existem consequências graves, físicas e emocionais para o sexo antes da hora. Vamos fazer cartilhas, vamos para as escolas mostrar arte, música. Vamos cuidar das ‘novinhas’, e não apenas chamá-las para o sexo”, afirmou a ministra Damares.

Em entrevista ao Circuito Mato Grosso, a professora Ana Maria Nunes da Silva, pesquisadora da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) na área de sexualidade e reprodução humana, destacou a importância da iniciativa, mas fez críticas ao método defendido pela campanha para prevenir a gravidez entre as jovens.

“As políticas desenvolvidas pelo Estado em torno da saúde e da sexualidade do adolescente têm avançado de forma gradual nos últimos anos. Porém, a forma adotada pelo projeto para prevenir a natalidade precoce, por meio do controle do comportamento reprodutivo, tem uma eficácia muito baixa, se analisarmos as experiências realizadas no Brasil e em outros países. Esse modo de lidar com a temática faz com que o jovem deixe de aderir aos serviços de saúde e não reduz, efetivamente, os casos de gravidez”.

Estudiosa do tema desde 2010, Ana Maria ressaltou que a gestação no período de desenvolvimento da adolescente pode acarretar em complicações médicas e psicoemocionais. “Por ainda estarem com o corpo em formação, muitas garotas sofrem abortos e as crianças acabam nascendo prematuras ou com baixo peso. Além disso, é comum as jovens terem sensações ambivalentes, tais como medo, ansiedade e angústia”.

De acordo a pesquisadora, as consequências da gravidez precoce pode prejudicar o futuro da carreira acadêmica e profissional das meninas. “Ao descobrirem a gestação, algumas garotas tendem a abandonar os estudos devido ao novo papel social que ela passa a adquirir, que é o da criação de um filho. Este fator compromete, posteriormente, o ingresso delas no mercado de trabalho”.

A professora reconheceu que aspectos socioculturais contribuem diretamente para o fenômeno. Com base em levantamentos estatísticos, jovens de baixa escolaridade, com pouco poder aquisitivo e que vivem em regiões com grande índice de criminalidade, submetidos a situações de maior vulnerabilidade são as que mais enfrentam o problema. No entanto, Ana Maria reitera que estes casos ocorrem em todas as classes da sociedade.

“Não podemos estigmatizar o problema a apenas um perfil comum porque, dessa maneira, fica ainda mais complicado para traçar medidas e ações eficazes para combater esse fenômeno”.

Conforme a especialista, embora o acesso à informação seja facilitado pela variedade de conteúdos em diferentes plataformas virtuais, a maior parte dos casos de gravidez na adolescência se deve, fundamentalmente, ao comportamento dos jovens durante a prática sexual, que não levam o devido cuidado com o uso do método contraceptivo – que também previne doenças e infecções sexualmente transmissíveis.

A pesquisadora chamou a atenção para o papel da família no processo. Segundo a estudiosa, o bom relacionamento dentro de casa ajuda na prevenção da gestação antes da hora e também na aceitação e na forma de lidar com a situação, caso seja constatada a gravidez.

“É fundamental que os adolescentes se sintam livres para conversar com os pais sobre qualquer assunto, inclusive a sexualidade. O apoio da família nesses momentos é essencial, já que, na maioria dos casos, há uma quebra de confiança na relação com o adolescente quando uma gestação é descoberta. O importante é propiciar um ambiente saudável dentro de casa para contornar determinados cenários adversos na vida da jovem e das pessoas a sua volta”.

 

Redação

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