Vinte e oito pessoas foram resgatadas de trabalho análogo à escravidão em Mato Grosso em 2019. Metade desses trabalhadores foi resgatada em uma única operação em Tangará da Serra (239 km de Cuiabá). O número é nove vezes maior que o de 2018, ano em que três trabalhadores foram resgatados.
Os números são de balanço divulgado nesta quinta-feira (30) pelo Ministério Público do Trabalho (MPT). No período de 2017 a 2019, o órgão recebeu 256 denúncias de trabalho escravo no Estado, 84 somente em 2019.
Nos últimos cinco anos, o Ministério Público do Trabalho recebeu 5.909 denúncias sobre trabalho escravo no País. No mesmo período, a instituição ajuizou 516 ações civis públicas e firmou 1.402 Termos de Ajuste de Conduta (TACs).
Segundo dados apresentados pelo chefe substituto da Divisão de Fiscalização para Erradicação do Trabalho Escravo (Detrae) do Ministério da Economia, Matheus Viana, somente em 2019, foram encontrados 1.054 trabalhadores em condições análogas à escravidão e fiscalizados 267 estabelecimentos.
As informações são da plataforma Radar, da Subsecretaria de Inspeção do Trabalho (SIT) da Secretaria Especial de Previdência e Trabalho do Ministério da Economia. Embora o número seja menor do que o registrado em 2018 (1.745 trabalhadores), a quantidade de estabelecimentos fiscalizados aumentou, uma vez que no ano anterior foram inspecionados 252 locais.
Entre 2003 e 2018, cerca de 45 mil trabalhadores foram resgatados e libertados do trabalho análogo à escravidão no Brasil. Segundo dados do Observatório Digital do Trabalho Escravo, isso significa uma média de pelo menos oito trabalhadores resgatados a cada dia.
Nesse período, a maioria das vítimas era do sexo masculino e tinha entre 18 e 24 anos. O perfil dos casos também comprova que o analfabetismo ou a baixa escolaridade tornam o indivíduo mais vulnerável a esse tipo de exploração, já que 31 % eram analfabetos e 39% não haviam sequer concluído o 5º ano.



